O Observatório Venezuelano das Prisões (OVP) elevou, esta quinta-feira, para 33 o número de reclusos mortos por consumo indevido de medicamentos na prisão de Uribana, no estado de Lara, no sudoeste da Venezuela.

Os números diferem do mais recente balanço oficial, uma vez que o Governo venezuelano confirmou apenas a morte de 13 detidos e 145 casos de intoxicação com medicamentos.

«Estamos a falar de 33 pessoas», confirmou, ao telefone, à agência Efe, o diretor do OVP, Humberto Prado.

O motivo pelo qual os reclusos terão procedido à ingestão descontrolada dos medicamentos tem a ver com a greve de fome, iniciada na segunda-feira, para pedir a destituição do diretor do estabelecimento prisional, indicou o ministério da tutela. Na origem da contestação, o tratamento desumano e violações de direitos humanos de que diziam ser alvo por parte de funcionários prisionais.

Os reclusos assumiram o controlo de áreas da prisão, incluindo a enfermaria, onde, segundo o Ministério das Prisões, ingeriram múltiplos medicamentos, incluindo antibióticos, anti-hipertensivos, antiepiléticos, bem como álcool em estado puro.

A prisão de Uribana conta com cerca de 3.700 detidos, número quatro vezes superior à sua capacidade.

A organização não-governamental confirmou a morte de 26 reclusos no Hospital Central de Lara, assim como a de outros dois que morreram na Penitenciária Geral da Venezuela, no estado Guárico e a de outros cinco na prisão de Tocorón, no estado de Aragua, para onde tinham sido transferidos a partir da Uribana horas antes do incidente.

Para Humberto Prado, a intoxicação foi motivada pelas próprias autoridades da prisão, onde “se tinham vindo a apresentar múltiplas denúncias por maus-tratos, tortura, falta de alimentação e assistência médica”, o que, de acordo com o diretor do OVP, “obrigou” os reclusos a iniciarem as greves de fome.

Segundo o relatório semestral da OVP, no final de junho, existiam 55.007 reclusos nas cadeias da Venezuela, cuja capacidade de lotação é, na teoria, é de 19.000. Do universo de detidos, aproximadamente dois terços aguardava por julgamento.

Segundo a ONG, no primeiro semestre do ano, 150 reclusos morreram nas prisões da Venezuela, país de 30 milhões de habitantes.

No ano passado, morreram 506 presos na Venezuela, contra os 591 registados em 2012 e os 560 no ano de 2011.