Notícia atualizada às 16:21

Um veículo carregado de explosivos matou esta terça-feira pelo menos 89 pessoas num mercado em Orgun, na província de Paktika, Afeganistão. De acordo com as declarações de um porta-voz do governo à BBC, a maioria dos corpos recolhidos pertencem a mulheres e crianças.

O atentado causou pelo menos 42 feridos, segundo a polícia local disse à Reuters.

Segundo testemunhas no local, os hospitais estão a ter dificuldades em dar resposta ao número de feridos resultantes daquele que já é um dos ataques terroristas mais mortíferos dos últimos meses no país.

«Não há espaço para as vítimas nos hospitais, as pessoas estão a ser tratadas nas ruas», explicou uma testemunha à AFP.

O mercado estava cheio de populares às compras para o Ramadão e cerca de 20 lojas ficaram completamente destruídas.

O porta-voz dos Talibãs recusou a autoria do ataque que ainda não foi reclamado por nenhum grupo terrorista.

Apesar de Orgun ser uma das áreas mais seguras da província de Paktika, a organização islamita Haqqani tem uma presença ativa na região que faz fronteira com o Paquistão.

A semana passada, terroristas suicidas tentaram assassinar o líder da polícia local Azizullhah, que é amplamente reconhecido por estabelecer a segurança na província.

A rede Haqqani já fez explodir vários veículos armadilhados com bombas nesta região, mas, nos últimos anos, a maioria é desmantelada, apreendida e não consegue atingir os alvos.

Para os habitantes locais, este ataque reaviva o sentimento de insegurança e faz crescer a falta de confiança no governo do Afeganistão para proteger os seus cidadãos.

Algumas horas antes deste ataque, dois homens que trabalhavam para o departamento de comunicação do Presidente Hamid Karzai foram mortos em Kabul, num atentado reclamado pelos Talibãs.

Depois de uma alegada fraude nas eleições presidenciais, em junho, os dois candidatos Abdullah Abdullah e Ashraf Ghan acordaram uma auditoria a todos os votos. No entanto, muitos temem que esta disputa ponha em risco a estabilidade e a segurança no país.