Um homem de 68 anos foi detido por guardar o corpo do irmão durante cinco meses em casa, num bairro de Barcelona, com o intuito de continuar a receber a pensão.

A detenção aconteceu depois de um vizinho ter denunciado às autoridades catalãs que estaria um cadáver na casa de Eduardo e Antonio Serrano Barrios.

Na noite de domingo, uma equipa dos Mossos d’Esquadra aparecerem na casa do detido e perguntaram-lhe pelo irmão Antonio, de 72 anos. Eduardo afirmou que não sabia do paradeiro do irmão, mas o cheiro forte que saía da casa acabou por provocar suspeitas de que o cadáver estava dentro do apartamento.

Foi então que encontraram o cadáver de Antonio mumificado em cima de uma cama e coberto por lençóis.

O cheiro era insuportável", conta um vizinho.

Eduardo acabou por explicar toda a situação, defendendo que o irmão morreu no dia 7 de março, depois de ter voltado das compras. Desconfia que Antonio tenha caído na rua, já que, quando regressou, lhe disse que não estava a sentir-se muito bem porque tinha sofrido um acidente. Por isso, foi deitar-se e, quando Eduardo o foi ver, já o encontrou sem vida.

O detido decidiu não contar a ninguém o sucedido. Antonio recebia uma pensão de mil euros e Eduardo de 300. Depois de fazer contas e pensar que ninguém notaria a ausência do irmão, optou por ficar calado para poder receber a pensão do morto.

As autoridades afirmam que o cadáver não aparentava sinais de violência, mas são aguardados os resultados da autópsia para confirmarem a causa da morte.

Os vizinhos Sagrario e Montserrat contaram que, nos últimos tempo, Eduardo bebia muito álcool, que os dois irmão foram empregados de mesa e estiveram detidos. Quando saíram da prisão um vizinho polícia ajudou-os a recuperar a casa onde os pais tinham morado a vida toda, que lhes tinha sido retirada durante os tempos que passaram na cadeia.

Eduardo é presente a tribunal esta quarta-feira para primeiro interrogatório judicial e está acusado dos crimes de apropriação indevida e roubo de identidade, de fraude bancária por cobrar a pensão do irmão falecido, e de omissão de ajuda, já que podia ter ajudado Antonio, quando este se queixou da indisposição. Quanto a manter a pessoa morta em casa, ainda não está esclarecido se poderá ser considerado profanação de cadáver.