O ator egípcio Omar Sharif, mais conhecido pelos filmes "Dr. Jivago" e "Lawrence da Arábia", morreu hoje, aos 83 anos. Segundo o agente do ator, a causa da morte terá sido um ataque cardíaco.

O ator nasceu na Alexandria, no Egipto, em 1932, com o nome Michel Demitri Chalhoub. Mais tarde adotou o nome pelo qual ficou conhecido: Omar Sharif, que significa "nobre" em árabe.

Estreou-se no cinema em 1953 num filme egípcio, "The Blazing Sun" e tornou-se rapidamente um dos atores mais requisitados no país. Nos anos 50 casou-se com a co-protagonista, Fatan Hamama, do qual teve um filho. Em 1962, estreia-se em Hollywood no filme "Lawrence da Arábia" e é aclamado pela crítica. Omar Sharif protagonizou dezenas de filmes e séries, tanto no Egipto como no estrangeiro.

O ator ganhou dois Globos de Ouro e uma nomeação para um Óscar, pelo seu desempenho no papel de Sherif Ali, no filme "Lawrence da Arábia", de 1962. Três anos depois ganhou um Globo de Ouro para melhor ator, pelo filme "Dr. Jivago".


              


              

Em 2005, a UNESCO concedeu-lhe a medalha Einstein, pela sua contribuição para a diversidade cultural no cinema. Em 2013, recebeu o prémio carreira, na quarta cerimónia do Viena Film Ball.

Omar Sharif sofria de Alzheimer. A doença foi-lhe diagnosticada no início deste ano.

O agente do ator já veio a público confirmar que Omar "sofreu um ataque cardíaco esta tarde, num hospital do Cairo".

                              
                                   Legenda: Omar Sharif recebe prémio carreira, em 2013

O tremendo sucesso a nível profissional permitiu-lhe viver uma vida desafogada, com a  admiração de milhões de fãs e com romances com algumas das mulheres mais desejadas do mundo, como Julie Andrews e Barba Steisend.

Contudo, a fama trouxe-lhe também alguns dissabores. O ator divorciou-se de Fatan Hamama, a única mulher que afirmou ter amado, quando aceitou trabalhar nos EUA, perdeu milhões por causa do vício do jogo, recusou-se a aceitar um filho ilegítimo e teve alguns episódios de violência.

"Sempre fui extremamente sortudo durante a minha vida", confessou, em entrevista ao canal de televisão Al Jazeera, em 2007. "Mas, se não tivesse tido esta carreira, talvez tivesse sido mais feliz. Sou divorciado há 41 anos e vivi sozinho desde então. Se calhar tinha sido mais feliz se tivesse ficado no Egipto. Eu tinha uma mulher e um filho, uma carreira estável como ator. Queria ter mais filhos. Quando fui para a América, consegui atingir glória mas também solidão".