O empresário e mecenas francês Pierre Bergé morreu esta sexta-feira, aos 86 anos, em França, na sequência de doença prolongada.

De acordo com um comunicado divulgado pela Fundação Pierre Bergé - Yves Saint Laurent e a Fundação Jardin Majorelle, em Marraquexe, a morte deu-se esta sexta-feira, às 05:39, em sua casa, em Saint-Rémy-de-Provence.

Pierre Bergé, acionista e presidente do conselho consultivo do jornal Le Monde, foi companheiro de Yves Saint Laurent ao longo de 50 anos, dando origem à criação conjunta de uma marca de moda que se tornou icónica.

Nascido em 1930, em Saint-Pierre-d’Oléron, Pierre Bergé conheceu Yves Saint Laurent em 1958, numa altura em que este apresentava a sua primeira coleção de moda, na casa Christian Dior.

"Com Yves, os papéis estavam definidos desde o início: eu amei-o pela sua fragilidade e a sua dificuldade em apreender o quotidiano. Assumi um papel paternal", disse Pierre Bergé numa entrevista em 2016.

Quando Saint Laurent saiu da direção artística da casa de moda Dior, decidiu, com Bergé, criar a sua própria marca, em 1961, dando início a uma longa colaboração.

Ambos apaixonados pela música, a ópera e a arte, criaram uma coleção privada desde os anos 1960, dispersa a partir de 2009, quando foi vendida.

Eram também grandes entusiastas de Marrocos, país que descobriram no início dos anos 1960, adquirindo o Jardin Majorelle, em Marraquexe.

A relação inspirou o documentário "L'Amour fou" (2010), de Pierre Thoretton, e dois filmes lançados em 2014 sobre a vida de Yves Saint Laurent, dirigidos por Jalil Lespert e Bertrand Bonello.

Pierre Bergé presidiu à Ópera de Paris, de 1988 a 1994, de que passou depois a presidente honorário, e a Mediateca Musical Gustav Mahler. Antes dirigira o Théâtre de l'Athénée, que adquirira para o repertório lírico, acabando por o doar à capital francesa.

Presidiu igualmente ao Comité Jean Cocteau, autor de quem detinha os direitos da obra. A estreia da peça "A voz humana", do escritor e artista francês, no palco do Teatro da Trindade, em Lisboa, em 2013, com interpretação de Carmen Santos, contou aliás com o apoio de Pierre Bergé, como o encenador Vicente Alves do Ó disse na altura à Lusa.

Bergé foi um dos principais mecenas das instituições culturais francesas, como o Centro Georges Pompidou e o Museu do Louvre, e foi nomeado embaixador de "Boa Vontade" da UNESCO, em 1993.

Empenhado politicamente, defendeu os direitos dos homossexuais, o casamento de pessoas do mesmo sexo e apoiou associações de luta contra a SIDA, como a Act Up-Paris e a Sidaction, e publicações como a Têtu. À investigação da doença e a organizações de apoio a pacientes e familiares, doou as receitas da venda da coleção de arte, que detinha com Saint Laurent.

Próximo dos socialistas franceses, foi apoiante de François Mitterrand, de quem era amigo, de Ségolène Royal e François Hollande. Este ano, subscreveu a candidatura de Emmanuel Macron à presidência francesa, lamentando porém o que considerou o declínio do Partido Socialista francês.

No passado mês de janeiro, anunciou a criação de dois museus dedicados ao trabalho de Yves Saint Laurent, em Paris e em Marraquexe, que têm abertura prevista para o final deste ano.