Martin Gilbert, biógrafo do primeiro-ministro britânico Winston Churchill e um membro da comissão de inquérito sobre a guerra no Iraque, morreu na terça-feira, aos 78 anos, anunciou esta quarta-feira o presidente desse organismo.

Martin Gilbert «morreu tranquilamente», após «uma longa e grave doença», precisou John Chilcot, descrevendo-o como «um historiador extraordinariamente importante», de cuja «sabedoria e perspicácia» o inquérito Chilcot beneficiou, e transmitindo as suas «condolências pessoais» à família.

John Chilcot informou os membros do parlamento britânico da morte de Sir Martin ao comparecer perante uma comissão da Câmara dos Comuns, a comissão dos Negócios Estrangeiros, à qual foi chamado para explicar o atraso na divulgação do relatório oficial do inquérito.

O Fundo de Educação sobre o Holocausto também reagiu à morte de Martin Gilbert, dizendo, na rede social Twitter: «Muito triste por saber da morte de Sir Martin Gilbert, destacado historiador do Holocausto e nosso grande amigo. Os nossos pensamentos estão com a sua família».

Além de ter sido o biógrafo oficial de Churchill, Martin Gilbert escreveu vários livros sobre o Holocausto, a primeira e segunda guerras mundiais e História do Judaísmo.

Foi em 1962, enquanto investigador da Universidade de Osford, que iniciou a sua obra sobre a vida do chefe do Governo britânico no tempo da guerra.

Um ano depois de ter sido nomeado investigador júnior na Merton College, em Oxford, Randolph, filho de Churchill, que estava a trabalhar na biografia do pai, convidou Martin Gilbert a juntar-se à sua equipa de pesquisa.

Após a morte de Churchill, em 1965, e com a aprovação de Randolph, Martin Gilbert escreveu a sua primeira obra sobre o antigo primeiro-ministro: um só volume intitulado “Winston Churchill” que foi publicado em 1966.

Depois de Randolph Churchill ter morrido, em 1968, foi convidado para retomar o seu trabalho e completar a biografia de Churchill, incluindo na obra documentos, o que o levou a publicar diversos volumes da biografia de Churchill ao longo dos 20 anos seguintes.

Mas foi o seu livro «O Holocausto», mais do que o que escreveu sobre Churchill, que desencadeou «de longe a maior correspondência e contacto com pessoas que, de outro modo, nunca teria conhecido», disse o próprio Martin Gilbert, acrescentando que tal lhe deu material e ideias que ele integraria em posteriores obras relacionadas com o Holocausto.