O escritor brasileiro Rubem Alves, com 80 anos, morreu este sábado de manhã no Centro Médico de Campinas, em São Paulo, na sequência de complicações de saúde resultantes de uma pneumonia, segundo o site do jornal O Globo.

Rubem Alves deu entrada no hospital com um quadro de insuficiência respiratória devido a uma pneumonia e estava internado desde 10 de julho na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Pela manhã, o hospital informou que o estado de saúde do escritor se tinha agravado.

Rubem Alves, casado e com três filhos, nasceu a 15 de setembro de 1933 em Dores da Boa Esperança, no sul de Minas Gerais, e morava em Campinas há décadas.

O escritor era um dos intelectuais mais respeitados do Brasil, tendo publicado diversos artigos em jornais e revistas. Foi cronista, pedagogo, poeta, filósofo, contador de histórias, ensaísta, teólogo, académico, autor de livros infantis e até psicanalista, segundo a sua página oficial na Internet.

Filho de uma família protestante, Rubem Alves estudou teologia no seminário Presbiteriano do Sul, tendo sido pastor de uma comunidade presbiteriana no interior de Minas.

Em 1963, viajou para Nova Iorque, onde fez uma pós-graduação e regressou à paróquia em Lavras, Minas Gerais, durante a ditadura militar, tendo sido perseguido pelos militares.

Exilou-se então com a família e foi estudar para a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, onde se doutorou. A sua tese foi publicada em 1969 com o título «A Theology of Human Hope» («Teologia da Esperança Humana»).

Segundo o site do jornal O Globo, regressou ao Brasil em 1968 e abandonou a Igreja Presbiteriana, tendo sido professor de filosofia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Rio Claro (Fafi), atualmente Unesp, onde esteve até 1974.

Nesse ano, entrou para o Instituto de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde esteve até se aposentar no início da década de 1990. Exerceu ainda psicologia clínica, pois também se formou nesta área do saber.

Como escritor distinguiu-se pela autoria de diversas obras infantis, como «A volta do pássaro encantado» e «A pipa e a flor» e escreveu ainda sobre teologia, filosofia, educação, além de crónicas.

É autor de «Tempus fugit», «O quarto do mistério», «A alegria de ensinar», «Por uma educação romântica» e «Filosofia da ciência».

Num texto biográfico do seu site oficial, citado pela Globo, escreveu também um trecho sobre a morte em que dizia: «Eu achava que a religião não era para garantir o céu depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos».