Eliezer “Elie” Wiesel, judeu ortodoxo, sobrevivente dos campos nazis do Holocausto, vencedor do Prémio Nobel da Paz em 1986 e ativista pelos direitos humanos, morreu este sábado, em Nova Iorque, nos EUA, aos 87 anos, de acordo com o Museu Memorial do Holocausto Yad Vashem, em Israel.

Wiesel ficou internacionalmente conhecido por perpetuar a memória dos horrores cometidos pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial no livro “Noite”, baseado na experiência que teve como adolescente em campos de concentração em Auschwitz, na Polónia.

Nascido a 30 de setembro de 1928, na cidade romena de Sighet, conhecida hoje como Sighetu Marmatiei, Wiesel viu a sua vida mudar por completo em 1940, quando a cidade natal foi anexada pela Hungria e todos os habitantes judeus foram forçados a viver em dois guetos.

Quatro anos depois, os nazis deportaram a comunidade judaica de Sighet para o campo de concentração Auschwitz-Birkenau. Ainda adolescente, Wiesel foi enviado, com o pai, Shlomo Wiesel, para o campo de trabalhos forçados Buna Werke, onde ficou oito meses antes de ser transferido para outros campos perto do fim da guerra. O pai, a mãe e a irmã de Wiesel não conseguiram sobreviver.

As tristes lembranças da vida no campo de concentração inspiraram grande parte da extensa produção literária Elie Wiesel. Entre os 57 livros escritos, destaca-se “Noite”, publicado em 1958 e parte de uma trilogia com “Amanhecer” e “Dia”. Pelo conjunto da obra, Wiesel recebeu o Prémio Nobel da Paz há precisamente 30 anos.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Elie Wiesel estudou na Universidade da Sorbonne, em Paris, França, onde começou a carreira jornalística. Em 1949 fez a primeira visita ao recém-criado Estado de Israel.