Dezenas de líderes do mundo inteiro, entre os quais, os presidentes norte-americano, francês e alemão, assistiram ao enterro de Shimon Peres, que foi sepultado esta sexta-feira no Monte Herzl, em Jerusalém, a poucos metros de outro Prémio Nobel da Paz, Yitzhak Rabin.

Os restos mortais do ex-presidente israelita Shimon Peres foram transportados ao início do dia do parlamento para o cemitério do Monte Herzl, onde estiveram presentes 34 chefes de Estado e de Governo.

O carro fúnebre escoltado por uma coluna de veículos policiais percorreu as ruas de Jerusalém até chegar ao seu destino final, situado no sudoeste de Jerusalém, onde se encontram enterrados os “grandes da nação”.

O dispositivo de segurança em torno das exéquias do antigo chefe de Estado israelita, é considerado o maior da história do país, envolvendo só em Jerusalém o destacamento de 8.000 agentes em diversos pontos da cidade.

O ex-presidente de Israel e Nobel da Paz Shimon Peres morreu esta quarta-feira, 28 de setembro, aos 93 anos. Foi um dos últimos políticos israelitas da geração fundadora do estado israelita, Peres tinha 93 anos. A sua morte foi anunciada pelo próprio filho, Chemi Peres, no hospital onde morreu devido a complicações após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral).

Ao lado de Yasser Arafat e do compatriota Yitzhak Rabin, recebeu o Nobel da Paz em 1994 pelos esforços de entendimento entre israelitas e palestinianos, nomeadamente o acordo de paz de Oslo em 1993.

Chegou a dizer que os palestinianos eram os vizinhos mais próximos de Israel e que podiam ser os amigos mais chegados.

De origem polaca, Peres tinha 11 anos quando imigrou para a palestina com os pais em 1934, quase quinze anos antes da criação do estado hebraico de que foi co-fundador.

Chegou ao mais alto posto em Israel como Presidente, cumpriu dois mandatos como primeiro-ministro e esteve ainda à frente de vários ministérios, nomeadamente o da defesa e o dos negócios estrangeiros.

 

Um aperto de mão simbólico

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, qualificou o ex-presidente Shimon Peres como "um grande homem do mundo", quando falava no funeral do seu antigo rival político.

"Shimon viveu uma vida com sentido", disse Netanyahu no cemitério de Mount Herzl.

Ele subiu a alturas incríveis. Foi um grande homem de Israel, foi um grande homem do mundo. Israel está de luto, o mundo está de luto, mas nós, tal como o mundo, queremos encontrar esperança no seu legado", acentuou.

Pouco antes do início do funeral o primeiro-ministro israelita, Benjamim Netanyahu, e o líder palestiniano Mahmud Abbas deram um aperto de mão. Shimon Peres é considerado um dos principais impulsionadores da paz entre os dois povos.

De acordo com a edição digital do diário Haaretz, Abbas disse a Netanyahu durante a saudação: “Já passou algum tempo desde o nosso último encontro”, ao que o primeiro-ministro israelita respondeu: “Agradeço muito que tenha vindo ao funeral”.

Também o presidente norte-americano, Barack Obama, sublinhou a presença de Mahmud Abbas na primeira fila dos altos dignatários presentes no funeral de Shimon Peres, considerando-a uma lembrança de que há “um trabalho inacabado pela paz”.

As primeiras palavras do chefe de Estado norte-americano - a última individualidade a falar no elogio fúnebre de Shimon Peres - deram destaque à presença do presidente da Autoridade Palestiniana na cerimónia, sublinhando que a presença de Abbas foi “um gesto e uma lembrança de que há “um trabalho pela paz inacabado”.