Vestido de fato escuro e gravata preta, o apresentador do canal em inglês da CCTV (Televisão Central da China) descreveu assim a notícia do dia: «Não me lembro de ter visto tanta consternação pela morte de um líder estrangeiro».

Na China, eram cerca das 06:00 desta sexta-feira quando foi anunciada a morte de Nelson Mandela e, desde então, os telejornais da CCTV News - difundidos hora a hora - passaram a ser inteiramente dedicados ao falecido líder sul-africano.

E de hora a hora, o apresentador daquela estação chinesa descreveu Mandela como «um ícone global».

A morte de Mandela dominou também os noticiários dos principais portais de informação chineses: «Morreu o Pai da nação sul-africana», disseram vários.

Mandela visitou a China duas vezes: em 1992, como líder do ANC, e em 1999, já na qualidade de Presidente da África do Sul.

Foi durante a presidência de Mandela que a África do Sul cortou as relações diplomáticas com Taiwan e reconheceu o Governo de Pequim como o único legítimo representante do povo da China, em 1998.

Em 1991, um grupo de rock de Hong Kong chamado Beyond criou uma canção sobre Mandela, «Anos Gloriosos», que teve grande sucesso entre a juventude chinesa.

Segundo recorda hoje o jornal «China Daily», Mandela tinha saído da prisão um ano antes e quando ouviu aquela canção «chorou».

«Ele tinha confiança que podia mudar o mundo/quem mais podia fazê-lo?», diz um dos versos da canção.

A ligação de Mandela à China é, contudo, muito mais antiga.

Um dos livros preferidos de Mandela era o clássico «Arte da Guerra», um tratado de estratégia escrito por Sun Zi há mais de dois milénios, refere o China Daily.

Na mensagem de condolências enviada ao homólogo sul-africano, o Presidente chinês disse que a China nunca esquecerá o «extraordinário contributo de Mandela para o desenvolvimento das relações sino-sul-africanas e a causa do progresso humano».

Mandela «voa livremente no céu», dizia também a canção dos Beyond.

O presidente chinês, Xi Jinping, manifestou hoje profundo pesar pela morte de Nelson Mandela e disse que a China "recordará sempre¿ o seu "extraordinário contributo para o desenvolvimento das relações sino-sul-africanas e a causa do progresso humano".

Numa mensagem ao homólogo sul-africano, Jacob Zuma, Xi Jinping manifestou também as sinceras condolências do governo e do povo chineses à família de Mandela, disse a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

Saudando Mandela como «um estadista de renome mundial», Xi Jinping salientou que o falecido presidente «liderou o povo da África do Sul através de duras lutas até à vitória do movimento anti-apartheid» e «deu um histórico contributo para a criação e desenvolvimento da nova África do Sul».

Mandela, falecido quinta-feira à noite (madrugada de sexta em Pequim), visitou duas vezes a China, na década de 1990, recorda a Lusa.