A morte da duquesa de Alba significa a partilha, entre os seus seis filhos e o neto mais velho, de uma fortuna calculada entre o imenso intervalo de 600 a 3000 milhões de euros.

Além do dinheiro, Cayetana foi uma grande colecionadora, tendo acumulado centenas de obras de arte, incluindo, por exemplo, de Velázquez e Goya, no valor de milhões de euros.

A aristocrata era ainda proprietária de um arquivo histórico avaliado em 41 milhões de euros e de uma biblioteca com cerca de 18 mil livros, incluindo a primeira edição de Dom Quixote.

Quando, em 2008, a duquesa de Alba revelou a sua relação com Alfonso Díez Carabantes, um funcionário público 24 anos mais novo, a polémica foi imediata: seria este um amor com interesses financeiros?

Perante a forte oposição dos filhos, Cayetana foi obrigada a decidir a herança antes do casamento, que realizou a 5 de outubro de 2011. Alfonso renunciou a todo o património e a todos os títulos, mas, segundo o «El País», ficou com uma pensão vitalícia de dois mil euros. Quando trabalhava na Segurança Social, tinha um salário de cerca de 1500 euros.

Na última entrevista do casal, a 1 de novembro, ao «El Mundo», Alfonso garantiu: «Na minha idade, ninguém se casa por dinheiro. Além disso, nunca me faltou nada e não tenho dívidas».

«A quem eu tenho que provar coisas na minha vida é à minha família e aos meus amigos e eles sabem quem eu sou. No princípio, foi tudo um disparate. Agora toda a gente é simpática comigo», continuou.

O marido da duquesa de Alba lamentou ainda que, se fosse ao contrário, um homem mais velho com uma mulher mais nova, «tudo tinha sido diferente». «A sociedade é mais injusta com as mulheres», resumiu.

Foi o filho mais velho de Cayetana, Carlos Fitz-James Stuart, a herdar o principal título. Será então o XIX duque de Alba e ficará responsável pela gestão do património, assim como com o Palácio de Liria, em Madrid, e o de Monterrey, em Salamanca.

No momento em que a herança ficou decidida, a grande surpresa foi que o Palácio de Dueñas, em Sevilha, no qual Cayetana passou os últimos anos e acabou por falecer, ficou para o neto mais velho, Fernando Fitz-James Stuart e Solís.

Para o segundo filho, Alfonso Martínez de Irujo, ficaram outras propriedades importantes, mas este decidiu contestar em tribunal a questão dos títulos. A mãe acabou por «ceder» e atribuir-lhe sete dos títulos considerados mais valiosos.

Entre os palácios e as mansões mais desejados, a filha Eugénia recebeu um em Ibiza e outro em Sevilha, e o filho Cayetano um em San Sebastián e outro em Sevilha, além de que será duque de Arjona.

Jacobo foi o grande prejudicado, porque ficou «apenas» com algumas propriedades ruais. No entanto, nos últimos tempos, foi o próprio a terminar a polémica a e reconciliar-se com a mãe.

«Dei aos meus filhos todo o meu legado e eu tenho usufruto dele até que morra. Está feito para que não possam tirar nada dos meus palácios, porque não quero que percam o interesse cultural que consegui reunir em tantos anos», disse a duquesa de Alba, quando assinou o acordo de herança.