Um surto de morbilivirus atacou a população de golfinhos cinzentos da Baía de Spetiba, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. De acordo com um balanço feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pela Universidade de São Paulo, já foram recolhidas mais de 170 carcaças de animais vítimas da doença, desde o fim de novembro de 2017.

Um relatório técnico sobre a morte dos animais, elaborado pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (MAQUA/UERJ) e do Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (LAPCOM/FMVZ/USP) assegura que é a primeira vez que o vírus em causa ataca na América do Sul e garante que não há risco de transmissão entre animais e humanos, já que cada um tem seu grupo próprio de hospedeiros. Mas o documento sublinha também que não se sabe ainda a dimensão da tragédia nem quando a morte dos animais vai parar.

Numa publicação do Facebook, o Instituto Boto Cinza explica que se está na “quarta semana seguida de recolhimento diário das carcaças de botos-cinza na Baía de Sepetiba”.

“Infelizmente a mortalidade já atingiu quase 13% do tamanho da população, que é estimada em 800 indivíduos. Já perdemos o equivalente a uma agregação de botos-cinza, um fenômeno único apresentado por essa população de golfinhos. Nas agregações os botos-cinza diariamente se reúnem em um grande grupo de mais de 100 indivíduos para alimentar e em seguida socializar”, disse.

 

De acordo com os cientistas, os fatores que contribuíram para o início do surto ainda são desconhecidos e estão a ser investigados.

O Morbilivírus é um vírus da família Paramyxoviridae. Algumas espécies de morbilivírus são muito estudadas por provocarem doenças conhecidas, como o sarampo (nos humanos), a cinomose (nos cães e focas) e a peste dos pequenos ruminantes (em cabras e ovelhas).