O número de vítimas mortais na sequência do colapso da ponte Morandi, em Génova, Itália, subiu para 39. Este é o último balanço do governo regional, anunciado no dia em que foi decretado o estado de emergência na região durante um ano.

Entre as vítimas mortais há três crianças, de 8, 12 e 13 anos. Duas vítimas mortais ainda estão por identificar.

Há ainda 16 feridos hospitalizados, nove em estado grave, e um número não determinado de pessoas desaparecidas, com as autoridades no local a travarem uma corrida contra o tempo. 

Esta quarta-feira, o governo italiano declarou o estado de emergência em Ligúria, região de que Génova é a capital, durante um ano. A medida, anunciada pelo governo regional, foi decidida num conselho de ministros extraordinário, que teve lugar na cidade abalada pela tragédia. Foi também disponibilizada uma verba de cinco milhões de euros para ajuda.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou também que vai revogar a concessão da ponte, que atualmente está a cargo da "Autostrade per l'Italia", uma empresa que é propriedade da família Benetton.

O executivo populista acusa a concessionária de ter descurado a manutenção da estrutura, mas a empresa já garantiu que cumpriu todas as sua obrigações.

Os rostos da tragédia

Entretanto, começam a surgir informações sobre as vítimas desta tragédia.

O governo francês confirmou a morte de três cidadãos no colapso da ponte, desconhecendo, para já, a existência de mais vítimas francesas.

As autoridades albanesas também confirmam a morte de dois jovens albaneses.

Segundo a proteção civil italiana, contando com todo o pessoal envolvido (bombeiros, polícias, Cruz Vermelha), foram mobilizadas cerca de mil pessoas para os trabalhos de resgate.

O chefe da proteção civil, Angelo Borrelli, explicou que a maioria das vítimas circulava na ponte, quando parte da estrutura colapsou sobre a autoestrada A10, caindo de uma altura de cerca de 50 metros.

A Proteção Civil italiana indicou, ainda, que entre 30 a 35 carros estiveram envolvidos no incidente, bem como três camiões.

Devido ao perigo de novo colapso da ponte, vários edifícios habitacionais foram evacuados e assim vão permanecer até à conclusão da vistoria, situação que afeta já 632 pessoas, das quais 311 são famílias, de acordo com o governo regional.

A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas confirma que, até ao momento, não há indicação de portugueses entre as vítimas.

"Responsáveis vão pagar caro"

O ministro do Interior, Matteo Salvini, prometeu, numa mensagem no Twitter, que "os responsáveis por este desastre, com nomes e sobrenomes, vão pagar, pagar tudo, pagar caro".

Quanto mais penso nas mortes de Génova, mais fico com raiva", assumiu, ainda.

 

O ministro das Infraestruturas, Danilo Toninelli, disse, numa mensagem no Facebook, que “os diretores da Autostrade per l’Italia devem demitir-se antes de tudo” e avançou que o governo italiano “ativou todos os procedimentos para a possível revogação das concessões e a imposição de uma multa de até 150 milhões de euros”.

Se não são capazes de administrar as nossas autoestradas, o Estado o fará", disse Toninelli.

O ministro das Infraestruturas afirmou, ainda, que "num país civilizado não se pode morrer por uma ponte que desaba" e reiterou que os culpados "desta tragédia injustificável devem ser punidos".