A mãe do jovem saudita que foi condenado à decapitação e à crucificação por ter participado num protesto apelou a Barack Obama para intervir e impedir a morte do filho. Numa entrevista ao jornal “The Guardian”, Nusra al-Ahmed pediu ao líder dos Estados Unidos para salvar a sua família de uma "enorme tragédia".

“Ele [Barack Obama] é o líder deste mundo, pode interferir e salvar o meu filho. Não há nada mais nobre do que salvar alguém do mal. Eu e o meu filho somos pessoas simples e não temos significância neste mundo, mas, apesar disso, se ele [Obama] pudesse levar a cabo este ato, acho que a estima que o mundo tem por ele ia aumentar. Ele ia salvar-nos de uma enorme tragédia."


Nusra al-Ahmed vive horas angustiantes: a sentença pode chegar a qualquer momento e com ela a morte do filho, Mohammed al-Nimr, de 21 anos.

“Para as outras pessoas cada hora é composta por 60 minutos, mas, para mim, cada hora corresponde a 60 batimentos de dor.”


O filho, Mohammed al-Nimr, foi detido quando tinha apenas 17 anos. Estava num protesto de muçulmanos xiitas que reivindicavam igualdade nos direitos religiosos, na cidade de Qatif. Recorde-se que o país é maioritariamente sunita. A mãe diz que se tratou de uma iniciativa pacífica e que, na altura, apesar de ter receado pela vida do filho, concordava com a realização do protesto.

“Eles eram pacíficos e civilizados. Tinha medo pelo meu filho, mas concordava com aquele protesto.”


As acusações que recaem sobre o jovem prendem-se com a participação num protesto, a utilização do telemóvel para convencer outras pessoas a juntarem-se à manifestação e a posse de arma, sendo que a família recusa veemente esta última acusação.

A progenitora revelou que quando visitou o filho pela primeira vez não o reconheceu e acusa as autoridades da Arábia Saudita de terem torturado o jovem ao ponto de o terem desfigurado.

“Quando visitei o meu filho pela primeira vez não o reconheci. Não sabia se aquele era realmente o meu filho ou não. Podia claramente ver uma ferida na sua cabeça. Outra ferida no nariz. Eles desfiguraram-no. Mesmo o seu corpo estava demasiado magro. Quando comecei a falar com ele, disse-me que durante o interrogatório foi pontapeado, esbofeteado e, claro, os seus dentes caíram... Durante um mês urinou sangue.”

 
O caso de Mohammed al-Nimr tem chamado a atenção dos media em todo o mundo. Organizações internacionais como a Amnistia Internacional e várias figuras públicas como o apresentador norte-americano Bill Maher e o primeiro-ministro birtânico David Cameron já apelaram à clemência para travar a morte a do jovem.

O embaixador saudita das Nações Unidas, Abdallah al-Mouallimi, já se pronunciou sobre o caso, numa entrevista à BBC, mas apenas para dizer que o assunto diz respeito apenas à Arábia Saudita.

“Pedimos respeitosamente ao mundo que respeite os nossos sistemas e os nossos processos judicias, as nossas leis e regulamentações, e que não interfira nos nossos assuntos internos.”


As duras sentenças do sistema penal da Arábia Saudita, que se baseiam na lei da sharia, têm motivado muitas críticas e um escrutínio diplomático cada vez maior, depois de o país ter conquistado um lugar no conselho para os direitos humanos das Nações Unidas.