O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, exigiu este domingo o levantamento das sanções ao seu país como «condição» para alcançar um acordo sobre o programa nuclear do Irão com os seus parceiros internacionais.

Zarif prestou estas declarações durante a sua intervenção na Conferência sobre Segurança de Munique, à margem da qual aproveitou para se reunir em diversas ocasiões com o secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), John Kerry.

«Há que tirar as sanções se querem ter êxito», assinalou, em relação às negociações do Irão com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Alemanha, que se prolongam até finais de março.

As sanções, que o Irão considera «inaceitáveis» e que «fracassaram miseravelmente», devem levantar-se totalmente de forma paralela ao avanço das negociações sobre o programa nuclear iraniano, afirmou, realçando que «o único caminho é através das negociações» e «respeito pelo Irão».

Zarif considerou ainda, após uma segunda reunião com John Kerry, que um novo adiamento do prazo para a obtenção de um acordo sobre o programa nuclear iraniano não é «do interesse de ninguém».

O ministro iraniano mostrou-se, no entanto, otimista em relação às negociações, salientando que se conseguiram «bastantes progressos nos últimos meses».

Na sua perspetiva, é preciso que todas as partes definam «objetivos comuns» para ter êxito, embora tenha reconhecido o «ceticismo» e a «desconfiança» que as negociações suscitam tanto no Irão como nos EUA.

Zarif realçou que o programa nuclear iraniano sempre foi pacífico, algo que tanto os EUA como Israel colocam em dúvida.

As grandes potências exigem do Irão a redução das suas capacidades nucleares para evitar que um dia possa ter uma bomba atómica.

Teerão, que nega qualquer natureza militar no seu programa, afirma o seu direito pleno à energia nuclear civil e exige o levantamento completo das sanções económicas ocidentais.

Na Conferencia de Segurança de Munique participam 20 chefes de Estado e de governo, cerca de 60 ministros de Negócios Estrangeiros e da Defesa, cerca de 40 altos diretores de grandes empresas multinacionais e representantes de Organizações Não-Governamentais.