O presidente egípcio deposto, Mohamed Morsi, foi separado dos seus assessores e levado para o Ministério da Defesa do país, referiu um dirigente da irmandade Muçulmana.

Citado pela agência AFP, Gehad El-Haddad, filho daquele que é considerado o braço direito de Morsi, explicou que o presidente deposto tinha sido levado para as instalações do Ministério da Defesa e que os seus assessores tinham ficado detidos nas instalações militares para onde todos foram conduzidos num primeiro momento.

O presidente egípcio esteve detido num posto militar com os seus principais adjuntos depois de os militares terem anunciado a sua demissão.

Uma alta patente militar confirmou depois que o presidente egípcio deposto estava sob detenção.

«Ele está detido preventivamente para os preparativos finais», disse o militar, sugerindo que Mohamed Morsi poderá enfrentar acusações formais relacionadas com as denúncias feitas pelos seus adversários políticos.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou na noite de quarta-feira que a «interferência militar» nos assuntos do país é um motivo de preocupação.

«Muitos egípcios expressaram profundas frustrações e preocupações legítimas e, ao mesmo tempo, a interferência militar nos assuntos de um país é motivo de preocupação», disse o gabinete do porta-voz da ONU em comunicado.

Depois de salientar que a transição de poder no Egito atravessa um momento «delicado», após o anúncio das Forças Armadas de nomeação de um novo presidente interino e a suspensão da Constituição, Ban Ki-moon recordou que Morsi «não aceitou» as decisões.

Para o Secretário-Geral das Nações Unidas, é urgente e «crucial» que seja restaurado um governo civil no país de forma «rápida» e de acordo com os princípios da democracia.

Já o presidente norte-americano apelou à realização rápida de eleições para um novo governo civil no Egito e manifestou-se «profundamente preocupado» com a situação no país.

Barack Obama disse ainda que vai pedir para serem estudadas as «implicações legais» da situação na ajuda que Washington dá ao Egito, já que a legislação norte-americana não permite ajuda a um país onde tenha ocorrido um golpe de Estado.

Também a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, apelou a um rápido regresso à democracia no Egito.

«Estou a acompanhar os desenvolvimentos mais recentes no Egito e tenho perfeita consciência das profundas divisões na sociedade, das exigências populares para uma mudança política e dos esforços para alcançar um compromisso», afirma Ashton num comunicado.

«Apelo a todas as partes para que regressem rapidamente a um processo democrático, incluindo a realização de eleições presidenciais livres e imparciais e a aprovação de uma constituição», acrescentou.

Ashton manifestou a esperança de que a nova administração transitória seja plenamente inclusiva e que os direitos humanos e a lei sejam respeitados.