Enviados internacionais estão a visitar líderes da Irmandade Muçulmana egípcia na prisão com o objectivo de contribuir para o fim do conflito que se vive no Egito entre os apoiantes de Mohamed Morsi e o governo interino nomeado pelos militares.



De acordo com informações da agência noticiosa do Egito, MENA, os enviados encontraram-se com o número dois da Irmandade Muçulmana, Khairat El-Shater, depois de terem conseguido autorização do procurador geral. El- Shater é visto como o estratega político da Irmandade e foi também preso depois da queda de Mohamed Morsi.



A visita aconteceu na prisão de Tora, no sul do Egito e a notícia é divulgada depois de fontes governamentais terem negado qualquer encontro de representantes dos Estados Unidos, União Europeia, Emiratos Árabes Unidos e Qatar. Os encontros, não confirmados por entidades independentes, foram também noticiados pela Al Jazeera, o canal noticioso do mundo árabe. O jornal egípcio «Al Masry Al Youm» refere mesmo que El-Shater foi visitado pelo vice-secretário de estado americano William Burns e por Bernadino Leon, enviado da União Europeia e que o vice- presidente da Irmandade muçulmana afirmou que só aceitaria conversações com a presença de Morsi,«o presidente legítimo».

Mohamed Morsi foi o primeiro presidente egípcio eleito mas as suspeitas de que estava a instalar uma nova ditadura levaram à contestação na rua e à sua consequente deposição pelos militares. Atualmente está preso e a Irmandade Muçulmana que dirige é acusada de incitar à violência e de apoiar o terrorismo. Acusações que são negadas pela organização.

Milhares de apoiantes de Morsi continuam acampados em dois locais da capital do país, Cairo, e já foram intimados pelas autoridades a dispersarem.

Cerca de 300 pessoas foram mortas na sequência da violência que se instalou no país depois da queda do presidente Morsi. A maioria dos líderes da Irmandade foi presa depois do golpe de estado que derrubou o presidente eleito.



O governo interino já disse que está aberto à mediação, mas sublinhou que o tempo é limitado.