O líder do Podemos avançou esta terça-feira, durante o debate da moção de censura ao Governo espanhol, com uma série de medidas inspiradas no executivo socialista português, como a subida do salário mínimo ou o aumento das pensões.

Pablo Iglesias indicou algumas propostas “à portuguesa”, que poderiam avançar no caso da moção de censura que está a ser discutida nas cortes espanholas ser bem-sucedida e de ser nomeado presidente do Governo. Algo que não será possível, por não ter os votos necessários para tal.

O líder do partido de extrema-esquerda Podemos defendeu uma alteração das políticas económicas de Espanha que possibilitem transformar o modelo económico, potenciar o emprego de qualidade e sanar a fratura social.

De acordo com o jornal El País, Iglesias desafiou mesmo o líder socialista do PSOE, Pedro Sánchez, a firmar um acordo sem os liberais do Cidadãos.

Espanha não merece esse “castigo"

A moção de censura não tem qualquer possibilidade de ser aprovada, visto que apenas é apoiada pela coligação Unidos Podemos, a terceira força política mais votada nas eleições legislativas, e por pequenos partidos independentistas da Catalunha e do País Basco.

O Partido Popular (direita) e o Cidadãos (centro) irão votar contra e o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) já anunciou a sua abstenção.

Pablo Iglesias propôs “cinco vetores de mudanças”, como um plano energético, que inclui o encerramento de todas as centrais nucleares até 2024, uma política industrial ativa, um novo estatuto para os trabalhadores, que derrogue as últimas reformas do mercado do trabalho, uma subida do salário mínimo até alcançar os 950 euros no final da legislatura e uma mudança do modelo social.

Noutra parte do debate com Mariano Rajoy, Iglesias referiu outras medidas tomadas por Portugal no setor bancário, como exemplo contra as políticas avançadas pelo Governo espanhol.

Por seu lado, Mariano Rajoy contrapôs que nem Pablo Iglesias merece a “honra” de ser chefe do executivo, nem Espanha merece esse “castigo”.

A moção de censura será votada na quarta-feira depois da intervenção de todos os partidos.