A Polícia moçambicana voltou esta quarta-feira a lançar gás lacrimogéneo no populoso bairro da Munhava, na Beira, centro do país, contra uma multidão que protestava contra o recrutamento forçado de jovens, disseram à Lusa populares.

«Os carros queimados nos confrontos da semana passada [entre polícia e apoiantes do MDM] foram usados para barricar a estrada. Há gente na rua e a polícia está a disparar e a lançar gás para dispersar populares», contou Ezequiel Hermenegildo, um morador, que descreveu a situação como um «caos».

A população saiu à rua para protestar contra o recrutamento «relâmpago e forçado» de jovens, pelas forças governamentais, o que agitou a cidade, tendo queimado pneus na antiga estrada nacional número seis (N6), mas rapidamente a situação se alastrou para o resto dos bairros da Beira.

O comércio e transportes públicos estão encerrados.

«O trânsito para o porto da Beira está interrompido desde as 13:00 [11:00 de Lisboa] e o comércio também está interrompido. Há pneus a arder na zona do alto da Manga e Vaz em direção ao aeroporto. Há gente em todo lado a manifestar-se», descreveu um jornalista local.

A província de Sofala é a mais atingida pela tensão político-militar em Moçambique, a pior desde a assinatura dos acordos de Paz em 1992 entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que já se saldou em dezenas de mortos e feridos.