Pelo menos mil pessoas foram traficadas entre 2012 e 2013 em Moçambique, onde, no mínimo, 20 casos de tráfico de pessoas são anualmente julgados, divulgou a Procuradoria-Geral da República de Moçambique (PGR).

Estes dados doram divulgados pelo assessor da PGR para assuntos criminais, Afonso Antunes, à margem da apresentação, na terça-feira, de uma pesquisa sobre o tráfico de pessoas em Moçambique.

Segundo a mesma fonte, entre 20 a 30 casos de tráfico de pessoas são julgados todos os anos no país, crime que afetou pelo menos mil pessoas, destinadas a trabalho escravo e prostituição, entre 2012 e 2013.

O tráfico de pessoas atinge, principalmente, as províncias de Manica, Zambézia e Tete, no centro do país, e as vítimas são transportadas para dentro do país ou para o exterior, disse o assessor da PGR para assuntos criminais.

Falando no evento, o reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), Patrício José, que fez a apresentação do estudo, apontou o fraco domínio da legislação pelos agentes da lei e ordem como um dos fatores para a prevalência do tráfico de pessoas em Moçambique.

«Há uma fraca divulgação da legislação. Muitos não conhecem os contornos do tráfico de pessoas. Os serviços de migração praticamente não sabem como lidar com este tipo de situações», declarou Patrício José.

Para o reitor do ISRI, a pobreza extrema e o desemprego são algumas das razões que favorecem a ocorrência do tráfico de pessoas em Moçambique.