Uma criança de 13 anos foi assassinada pelos seus raptores na Beira, centro de Moçambique, em retaliação ao facto de a família ter informado a polícia do local onde ia pagar o resgate, noticiou esta terça-feira o diário O País.

Citando a mãe da criança, o País diz que o corpo do menor foi descoberto sem vida, na segunda-feira, numa mata nos arredores da cidade da Beira, após os raptores terem dito que iam matar a criança por terem descoberto que a família deu a conhecer à polícia o lugar onde ia pagar um resgate de um milhão de meticais (cerca de 25 mil euros).

«As nossas crianças já não podem ir à escola, nem a qualquer outro sítio por temermos que sejam raptados, onde está o Governo? O que faz a polícia para nos proteger?», questionou a mãe da vítima.

A organização moçambicana Rede dos Comunicadores Amigos da Criança (RECAC) acusou hoje a polícia de «negligência maior» na morte desta criança e na falta de esclarecimentos sobre os raptos em Moçambique.

A menor foi a primeira vítima mortal da onda de raptos que assolam Moçambique, que resultou no sequestro de dezenas de pessoas, incluindo crianças, muitas delas libertadas mediante o pagamento de elevadas quantias de dinheiro.

Seis pessoas condenadas a 16 anos de prisão por envolvimento em raptos

Seis pessoas acusadas de envolvimento em raptos em Moçambique foram na segunda-feira condenadas a 16 anos de prisão pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, que absolveu duas no processo em causa.

O tribunal considerou provado o envolvimento dos seis arguidos no rapto de cinco cidadãos moçambicanos, quatro dos quais empresários, entre setembro de 2011 e dezembro de 2012.

Segundo o tribunal, pelo menos três dos cinco raptos renderam aos autores dos crimes mais de 336 mil euros, não se conhecendo o valor gerado pelo rapto de duas das vítimas.