A Coreia do Norte vai continuar a testar mísseis, apesar da condenação internacional e do aumento das tensões militares com os Estados Unidos da América (EUA). A garantia foi deixada esta segunda-feira pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Han Song-Ryol, em declarações à BBC em Pyongyang.

Vamos realizar mais testes de mísseis numa base semanal, mensal e anual”, afirmou o governante ao jornalista da estação britânica de televisão John Sudworth.

O ministro norte-coreano acrescentou que se os EUA forem “imprudentes o suficiente para usar meios militares”, o resultado pode ser uma “guerra total”.

Algumas horas antes, o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, tinha alertado a Coreia do Norte para não testar os EUA.

O aviso de Pence

Pence deslocou-se esta segunda-feira à Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, um dia depois de Pyongyang falhar o lançamento de um míssil. Mike Pence chegou de helicóptero à base militar Bonifas, um posto das Nações Unidas sob liderança norte-americana, onde se encontrou com as tropas norte-americanas ali estacionadas. Cerca de 28.500 militares norte-americanos estão atualmente estacionados na Coreia do Sul.

Mike Pence na base militar Bonifas (Foto: Reuters)

Durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente sul-coreano em funções, Hwang Kyo-ahn, a partir da Zona Desmilitarizada que divide as duas Coreias, Mike Pence deixou um aviso: "A era da paciência estratégica acabou. Queremos ver a Coreia do Norte a abandonar o imprudente caminho de desenvolvimento de armas nucleares, e também o uso contínuo e teste de mísseis balísticos, que é inaceitável".

Ao mesmo tempo, e de acordo com a AFP, o vice-presidente norte-americano reforçou que o compromisso com o país vizinho é “inabalável”: os EUA estão comprometidos com a segurança da Coreia do Sul e, em relação a Pyongyang, “todas as opções estão em cima da mesa”.

Mike Pence, que apelidou o mais recente teste de míssil falhado da Coreia do Norte "uma provocação", disse que os EUA e os aliados vão atingir os objetivos através de "meios pacíficos ou, em última instância, quaisquer meios necessários" para proteger a Coreia do Sul e estabilizar a região.

Mas o vice-presidente norte-americano recomendou também a Pyongyang que não coloque à prova a "determinação" de Donald Trump em relação aos programas balísticos e nucleares norte-coreanos.

É melhor para a Coreia do Norte não testar a determinação e o poder das Forças Armadas dos Estados Unidos nesta região", afirmou durante a conferência de imprensa.

"Nestas duas últimas semanas, o mundo foi testemunha da força e da determinação de nosso novo presidente durante operações realizadas na Síria e no Afeganistão", declarou Pence.

O vice-presidente dos EUA referia-se ao recente bombardeamento norte-americano de uma base militar síria com 59 mísseis Tomahawk, em retaliação contra o uso de armas químicas, e ao lançamento da “mãe de todas as bombas” contra extremistas no Afeganistão.

Mike Pence com presidente sul-coreano em funções, Hwang Kyo-ahn (Foto: reuters)

Numa conferência de imprensa esta segunda-feira nas Nações Unidas, o embaixador Kim in-Ryong, que representa a Coreia do Norte na ONU, condenou o ataque dos Estados Unidos a uma base aérea da Síria e disse que os EUA estão a “perturbar a paz e estabilidade mundial e a insistir numa lógica gangster”.

Por sua vez, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, declarou também esta segunda-feira que espera que os Estados Unidos não ajam "unilateralmente".

Espero que não ocorram ações unilaterais como as que vimos recentemente na Síria", afirmou Lavrov, durante uma conferência de imprensa.

O ministro russo advertiu que embora a violação por parte de Pyongyang das resoluções da ONU seja censurável, "isso não quer dizer que seja possível violar o direito internacional usando a força" contra a Coreia do Norte.

Já o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, convocou todas as partes a demonstrar prudência para "evitar qualquer ação que possa ser interpretada como uma provocação".

Coreia do Norte: míssil de teste explodiu pouco depois do lançamento

As declarações surgem um dia depois de os chefes do Estado-maior da Coreia do Sul terem revelado que, apesar das pressões internacionais, a Coreia do Norte tentou no domingo, em vão, lançar um míssil não identificado.

De acordo com a Casa Branca, o míssil disparado por Pyongyang explodiu entre quatro a cinco segundos depois de ter sido lançado, por ocasião do aniversário do fundador da Coreia do Norte, Kim il-Sung, avô do atual líder norte-coreano, Kim Jong-Un.