A Air France decidiu, na quinta-feira, expandir a zona de exclusão aérea, em torno da Coreia do Norte. A decisão surge depois de, na última sexta-feira, um avião comercial da companhia aérea francesa quase ter cruzado com o míssil intercontinental lançado pelos norte-coreanos.   

Nesta fase, como medida de precaução, a empresa decidiu expandir a área de não-aviação em torno da Coreia do Norte, um país que não sobrevoa”, disse a companhia aérea, através de um comunicado, de acordo com a CNN.

O voo da Air France de Tóquio para Paris, no dia 28 de julho, com 332 pessoas a bordo, passou pelo mar do Japão, também conhecido como mar do Leste, menos de 10 minutos antes do míssil cair.

Segundo dados do voo, no momento da queda do míssil no mar, o avião da companhia aérea francesa estava a, aproximadamente, 60 a 70 milhas a norte do local.

No comunicado, a Air France explica que o avião foi “operado segundo plano de voo que estava programado e sem qualquer incidente”.

A informação disponível para a Air France indica que o míssil podia ter caído no mar a mais de 100 quilómetros da trajetória do avião. Mesmo que essa distância seja comprovada, não ponha em causa a segurança do avião”, disse Cédric Landais, porta-voz da companhia francesa, segundo a CNN.

A companhia aérea francesa afirmou ainda que “analisa constantemente as zonas de voo potencialmente perigosas e adapta os seus planos de voo em conformidade”.

Coreia do Norte aumenta zona de testes e preocupa analistas

Apesar da Air France afirmar que o seu avião não esteve em perigo, os analistas estão preocupados com a expansão da zona de testes da Coreia do Norte, perto de trajetórias de voo, sobre o mar japonês.

Em declarações à CNN, Jeff Davis, porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, disse que “nações responsáveis” deviam avisar antes de realizarem testes com mísseis.

Nações irresponsáveis lançam essas coisas sem aviso prévio”, afirmou Jeff Davis.

De acordo com as orientações da Organização da Aviação Civil Internacional, a agência das Nações Unidas responsável por manter a segurança aérea, os países têm a “responsabilidade de emitir avisos de risco sobre quaisquer ameaças à segurança de aeronave civis que operam no seu espaço aéreo”.

Segundo a CNN, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão afirmou que emitiu um aviso para todos os navios e aeronaves que operam na sua Zona Económica Exclusiva, oito minutos depois do lançamento do míssil norte-coreano.

A Air France confirmou que recebeu o aviso, mas disse que a mensagem “não especificou nenhuma indicação ou instrução que exigisse uma ação operacional por parte da companhia aérea". O aviso acabou por não ser transmitido à tripulação, porque “o evento já tinha acontecido quando foram enviados os alertas pelas autoridades japonesas”.

Este ano, a Coreia do Norte aumentou o programa de testes de mísseis e o míssil lançado a 28 de julho parece ter alcance para atingir as principais cidades do Estados Unidos.