“Na verdade, Schengen está feito em farrapos. Os migrantes andam de forma absolutamente livre em todos os países que são responsáveis pela proteção das fronteiras.”

“Em tempos normais é difícil obter um visto Schengen, mas agora dezenas de milhares de pessoas circulam sem qualquer controlo. Então, é isto que é [o espaço] Schengen ou não?”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslováquia, após uma reunião do Governo em Bratislava.

O Governo eslovaco liderado por Robert Fico (esquerda) propõe uma maior proteção das fronteiras do espaço Schengen, mas também uma reflexão sobre as causas da migração.

“Recuso que considerem a Eslováquia como um país desprovido de sentido de solidariedade”, frisou Miroslav Lajcak.

Segundo o político, o Governo eslovaco está disponível para dar a sua contribuição, através de equipamentos e meios financeiros, para a resolução do problema.

O ministro das Finanças eslovaco, Peter Kazimir, mencionou hoje “os milhões de euros” que poderiam ser destinados, entre outros aspetos, para o reforço das fronteiras exteriores do espaço Schengen, através da entidade responsável por esta área, a agência Frontex (Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia).

Atualmente, o espaço Schengen abrange 26 países europeus, 22 dos quais são Estados-membros da União Europeia (UE): Portugal, Alemanha, Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estónia, Grécia, Espanha, França, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Hungria, Malta, Holanda, Áustria, Polónia, Eslovénia, Eslováquia, Finlândia e Suécia.

A Islândia, Liechtenstein, Noruega e a Suíça são os restantes países abrangidos pelo espaço Schengen.

A Bulgária, Croácia, Chipre e Roménia são países candidatos a aderir ao espaço de livre circulação.

O Reino Unido e a Irlanda permanecem de fora desta zona.

A 14 de junho de 1985, cinco países europeus (França, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Holanda) assinaram em Schengen (Luxemburgo) um acordo relativo à supressão gradual dos controles nas fronteiras comuns, instaurando um espaço – "o espaço Schengen" – de livre circulação de pessoas, independentemente da sua nacionalidade.

A 19 de junho de 1990, os cinco Estados-membros assinaram a convenção de aplicação dos acordos de Schengen.

O espaço Schengen alargou-se a Portugal em 1991.