Viveu durante 7 anos num centro para sem-abrigo. Mal podia imaginar o que viria a acontecer com as poucas moedas que tinha no bolso. Alcoólico em reabilitação, László Andraschek tentou a sua sorte e ganhou 2 milhões de euros. Comprou seis casas para toda a família, mas o seu novo estatuto económico só foi tornado público quando fez uma grande doação para o centro onde já viveu.

Andraschek quer chamar a atenção para o problema dos 300 mil sem-abrigo na Hungria, até porque é uma realidade que conhece bem.

É o mais novo de sete irmãos, mas passou muito tempo apenas com a companhia da bebida. «Vivi a típica rotina de um alcoólico e achava que estava tudo bem assim», contou ao jornal britânico The Guardian. O húngaro pediu à mãe que o expulsasse de casa para que percebesse que tinha de mudar de vida. O destino foi a rua.

Aos 31 anos já tinha tentado o suicídio. Em 1991, ficou registado como sem-abrigo e tentou viver numa instituição de tolerância zero ao álcool. Mas Andraschek acabava sempre por voltar às ruas. Oito anos depois, conheceu a atual companheira com quem refez a sua rotina.

«Stand by me»

O prémio da lotaria que ganhou serviu para pagar as rendas em atraso e as muitas dívidas ao banco. «Acabou. Já não tenho de andar a pensar a quem posso pedir dinheiro emprestado», desabafou ao mesmo jornal britânico.

Andraschek não só já não tem que pedir dinheiro emprestado, como quer doar o que ganhou a quem precisa. Quer criar uma fundação «direcionada para ajudar pessoas que tenham perdido a sua dignidade humana», explicou ao The Guardian. «É o nosso dever dar a mão às pessoas que partilham das nossas experiências», disse. László Andraschek pretende que o nome da fundação seja «Stand by me» («Fica ao meu lado», em português). «É mais fácil sobreviver e seguir em frente quando temos alguém ao nosso lado», afirmou.

O objetivo da fundação não é apenas angariar dinheiro, mas sim reunir as pessoas que têm condições para ajudarem de outra forma. Andraschek quer lutar contra a «indiferença» que se vive na Hungria em relação ao problema dos sem-abrigo. No ano passado, o parlamento húngaro aprovou uma lei que permitia aos municípios definir zonas interditas e multar as pessoas que ocupassem as ruas. László Andraschek não discute política, mas alerta que, «enquanto não houver uma rede de segurança para essas pessoas, é inútil multá-las por estarem nas ruas. Não é algo que se escolha.»