Diferentes ministérios do Vaticano esconderam centenas de milhões de euros não declarados. A descoberta foi anunciada esta sexta-feira pelo cardeal australiano George Pell, que dirige o novo secretariado da Economia do Papa Francisco.

«Descobrimos que a situação (financeira do Vaticano) era muito mais saudável do que parecia. Porque algumas centenas de milhões de euros estavam escondidas em diversas contas setoriais e não apareciam nos balanços»



Numa entrevista à revista britânica Catholic Herald, o cardeal explicou que «é importante sublinhar que o Vaticano não está em falência. Além do fundo de pensões, que deve ser reforçado para responder às necessidades nos próximos 15 a 20 anos, a Santa Sé financia-se por possuir bens substanciais e através de investimentos».

O ministro da Economia do Vaticano descreveu um sistema em que cada serviço mantinha e defendia a sua independência.

«Os problemas eram mantidos em reserva. Poucos eram tentados a confiar ao mundo exterior os problemas da sua casa, o que só acontecia quando precisavam de ajuda externa».


A partir de agora, «os orçamentos de cada congregação e conselho pontifício serão aprovados e as despesas controladas (...) durante o ano». Se não forem respeitados, serão alvo de penalização.

O cardeal australiano, que integra o «C9» dos cardeais que aconselham o papa Francisco, foi nomeado «secretário da Economia», com plenos poderes para reformar os serviços económicos e financeiros do Estado, prejudicados, no passado, pela opacidade e importantes escândalos financeiros.

Uma das missões de Jorge Bergoglio, eleito papa em 2013, é a reforma da Cúria e pôr fim a um sistema obsoleto e despesista.