Na aplicação Snapchat, os utilizadores enviam fotografias e vídeos que se apagam automaticamente passado alguns segundos ou determinado número de visualizações. Mesmo assim, os hackers conseguiram intercetá-las e divulgaram milhares de fotos, incluindo de crianças.

E essa é, de resto, a parte mais preocupante deste ataque. É que metade dos utilizadores do Snapchat têm entre 13 e 17 anos, apenas. As estimativas apontam para que tenham sido divulgadas à volta de 200 mil imagens, num arquivo de 13GB, na quinta-feira da semana passada. 

A situação está a ser muito comentada e analisada no fórum 4chan, sendo comparada com o ataque recente contra a iCloud, que tornou públicas fotografias íntimas de celebridades, incluindo atores de Hollywood. A dimensão do problema, desta vez, aparenta ser maior, não só pelo número de fotos, como pelo facto de envolver crianças e jovens. Haverá até, segundo o «Business Insider», imagens de menores nus. 
 
O Snapchat já veio explicar que os seus servidores «nunca foram violados». O problema é que existem aplicações alheias a este serviço que permitem guardar os ficheiros que eram suposto caírem no esquecimento. Esse tipo de prática «é expressamente proibida, segundo os nossos Termos de Utilização, precisamente por comprometer a segurança dos nossos utilizadores», realça. 

Chegou a pensar-se que o Snapsave poderia ter sido o culpado. Mas o responsável pelo desenvolvimento desta aplicação para Android garante que não: «A nossa aplicação não tem relação com este caso e não guardamos senhas e logins», referiu ainda, num comunicado citado pelo site Engadget. 

Certo é que as imagens foram disponibilizadas pelos hackers no site viralpop.com, conhecido por instalar programas maliciosos em computadores. Entretanto, já foi retirado de linha, mas, mesmo assim, essa medida não impediu que milhares de pessoas fizessem o download das fotografias. Os utilizadores do fórum 4chan estão a elaborar uma base de dados para que seja possível encontrar as imagens e os vídeos através dos nomes dos utilizadores do Snapchat. 

Os responsáveis deste serviço prometem monitorizar a App Store e o Google Play no que toca a aplicações ilegais. O especialista em segurança da ESET, Mark James, explica que não basta atirar as culpas para outros. E não basta dar a perceção que uma aplicação é segura: «É preciso torná-la segura», vincou.
Embora neste momento já não seja possível efetuar qualquer download, os hackers ameaçaram publicar mais imagens. Há quem duvide da autenticidade das mesmas. Isso só se saberá mais tarde.