A Assembleia Nacional, o parlamento cubano, aprovou a eleição de Miguel Díaz-Canel como novo presidente do país, na abertura do segundo dia da nova legislatura, em Havana, quando eram 9:00 locais (14:00 em Lisboa).

Assumo a responsabilidade para que fui eleito com a convicção de que, como todos os revolucionários cubanos, seremos fiéis ao exemplo de Fidel Castro Ruz e do general do exército Raúl Castro Ruz", afirmou Díaz-Canel no discurso de posse, iniciado precisamente com a lembrança “fundadores da Revolução cubana” que, em 1959, depuseram a ditadura de Fulgêncio Batista.

Antes de começar a discursar, Miguel Diaz-Canel, foi eleito, na véspera do seu 58.º aniversário, após ter sido designado como o único candidato na quarta-feira.

Díaz-Canel, o engenheiro que agora passa a presidir à República de Cuba, põe cobro a cerca de seis décadas de poder dos irmãos Castro. Foi confirmado como presidente para os próximos cinco anos, com 603 votos dos 604 possíveis, ou 99,83% do plenário.

"Continuidade" de políticas

Num discurso sempre marcado por palavras que atestam "continuidade" de políticas, o novo presidente assumiu mesmo que "Raúl Castro, como secretário-geral do Partido Comunista, encabeçará decisões de maior importância para o futuro", num dos momentos mais aplaudidos pelos mais de 600 deputados presentes no parlamento, em Havana.

Não venho prometer nada, mas apenas compromissos com o programa e o alinhamento da politica do partido coma  revolução", afirmou Díaz-Canel, acrescentando que será assim que "enfrentaremos as ameaças do poderoso vizinho imperialista", referindo-se aos Estados Unidos.

Mais de meio século de difamação e eles não foram capazes de derrubar as colunas da nossa fé", afirmou ainda Díaz-Canel.

Em termos de política externa, Díaz-Canel afirmou que nada irá mudar, "porque não se negoceiam princípios", estando Cuba "sempre disposta a dialogar com os que a tratam de forma igual".

Estaremos sempre dispostos a dialogar e cooperar com aqueles que entendem o respeito. Esta legislatura defenderá a revolução e continuará a aperfeiçoar o socialismo", afirmou o novo presidente, acrescentando que "aqui não há espaço para uma transição que ponha em causa a revolução".

Num discurso com cerca de meia hora, Díaz-Canel assegurou que não irá "esquecer o compromisso" adquirido "com o povo e com o futuro": "Nós temos como nossa primeira razão, a de estarmos no vínculo sistemático com o população".

As suas últimas palavras foram as da praxe dos dirigentes cubanos nas últimas seis décadas: "Pátria ou morte. Socialismo ou morte. Venceremos!"

"Não podemos cometer erros"

Falando depois do novo presidente eleito, o antecessor e ainda líder do Partido Comunista cubano, Raúl Castro, defendeu Díaz-Canel como seu herdeiro político mas deixou um aviso ao sucessor: "Não podemos cometer erros".

O camarada Díaz-Canel não é um improvisado. Ao longo dos anos, demonstrou maturidade, capacidade de trabalho, solidez ideológica, fidelidade política e compromisso com a Revolução", sublinhou Raúl Castro, falando à nova Assembleia Nacional.

Castro enfatizou que, com Díaz-Canel, a "ascensão à máxima responsabilidade não foi resultado do acaso ou da precipitação. Não cometemos o erro de acelerar o processo", mas "pensou-se com serenidade a transferência das diferentes responsabilidades partidárias e governamentais".

Quando chegar a altura", Díaz-Canel poderá também ser primeiro secretário do PC cubano, segundo afirmou Raúl Castro, que relembrou a decisão tomada em congresso pelo partido único de limitar a dois mandatos de cinco anos cada, no máximo, o cargo de presidente do país. 

Além dos elogios ao sucessor, Raúl Castro abordou também as questões económicas que afligem a ilha das Caraíbas, adiantando, segundo relata a agência noticiosa Reuters, que Cuba não desistiu de desenvolver o auto-emprego, apelando à redução de gastos públicos e assumindo ser "uma dor de cabeça" a unificação da circulação de duas moedas, o peso e o peso convertível.

Castro frisou ainda o compromisso com a Venezuela de Nicolás Maduro, a preocupação com o Brasil, após a detenção de Lula da Silva, e a acusação de que os Estados Unidos, com Donald Trump, estão a voltar a uma atitude neocolonislista no continente americano, assistindo-se a uma reversão nas relações, "caraterizada pelo tom agressivo e ameaçador".