Miguel Castañón tem emprego, mas não tem salário. Um político com trabalho, mas sem dinheiro. O caso de Miguel Castañón, alcaide da pequena Cabra del Camp, em Tarragona, Espanha, já chegou aos tribunais administrativos espanhóis, mas o autarca, com a mulher desempregada e dois filhos, ainda não viu o ordenado reposto e vive, por isso, da caridade.
 
A convivência política no pequeno município da Catalunha não tem sido pacífica. O movimento Cabra en Comú tinha ganho as eleições locais, conseguindo cinco vereadores em nove, mas, com dois vereadores a “desertarem” do movimento, tal fez com que os elementos na  oposição aprovassem, por maioria, em agosto, uma moção de censura ao alcaide, que o deixou com direito a um ordenado de zero euros, suspendendo o vencimento anual que tinha estabelecido em junho de 13500 euros, segundo o La Vanguadia.

Miguel Castañón já recorreu para o tribunal administrativo, mas a providência cautelar para travar os efeitos da suspensão do ordenado não foi aceite, pelo que o alcaide se vira agora para a Segurança Social, a pedir apoio, já que na sua casa não entra dinheiro para sustentar quatro pessoas.

Numa terra com pouco mais de mil habitantes, apenas com algumas multinacionais instaladas, como Revlon ou Ikea, pouco mais havia de registo naquela localidade do que uma estátua de quatro metros de Mazinger Z, que um construtor ergueu para animar as vendas de casas.
 
Mas, o insólito da situação a que chegou Miguel Castañón já levou o nome deste alcaide e da pequena localidade até às páginas do jornal de tiragem nacional, El Mundo.

O antigo gestor comercial, que viu a empresa onde trabalhava fechar, estava a trabalhar numa linha de empacotamento de embalagens quando a política falou mais alto. Largou o emprego para se dedicar à política, mas, agora, nem emprego nem dinheiro.

Ele acusa, de acordo com o El Mundo, os opositores de “falta de caráter” e chama-lhes “traidores”, e alega que a suspensão do seu vencimento se prende com questões pessoais. Acusa também o partido agora na oposição, mas que governou o município durante 20 anos, “de corrupção  e  compadrios”, como refere o El Mundo.  Já Salvador Pérez, um dos visados, considera que Castañón “não tem condições para governar, por falta de maioria no executivo municipal, pelo que não lhe é devido dinheiro”, já que agora só conta com três vereadores, cita o La Vanguardia.