O presidente da câmara da localidade fronteiriça de Asotthalom, na Hungria, é o protagonista de um vídeo divulgado nas redes sociais, que tenta demover os refugiados e migrantes de usarem o país como porta de entrada na União Europeia.

Laszlo Toroczkai começa por afirma que a Hungria tem recebido todas as pessoas que “respeitem a lei”, mas que não vai aceitar que a fronteira continue a ser atravessada ilegalmente. Toroczkai avisa que desde o dia 15 que cruzar a fronteira ilegalmente constitui um crime e que quem o fizer está sujeito a pena de prisão de vários anos.

O vídeo passa a mostrar imagens de polícias e do exército junto à fronteira, de carros de patrulha, homens a cavalo e helicópteros que guardam o limite com a Sérvia.

                       
                                                        Laszlo Toroczkai (Reprodução/Youtube)

No final, é deixada a mensagem que os refugiados e migrantes devem optar por atravessar a Croácia e a Eslovénia para chegar à Alemanha.

“As fronteiras da Hungria estão protegidas por uma rede que está a constantemente a ser aumentada. (…) Se é  um imigrante ilegal e quer chegar à Alemanha, o caminho mais curto a partir da Sérvia é pela Croácia e Eslovénia. Não acreditem nos traficantes. A Hungria é uma má escolha. Asotthalom a pior.”


                 


Este género de atitude para com os migrantes e refugiados por parte da Hungria tem sido severamente criticada por parte de vários países europeus e ONU. No entanto, isso não impediu o Governo húngaro de começar a construir uma segunda vedação na fronteira com a Croácia, uma vez que os refugiados começaram a contornar a primeira barreira, vista no vídeo.

A segunda vedação vai ter 41 quilómetros e será guardada por mais de mil soldados. A construção já começou esta madrugada.

“Temos de implementar as mesmas medidas utilizadas na fronteira com a Sérvia. (…) Militares já foram enviados, 600 soldados já estão na fronteira, 500 vão chegar lá durante o dia e mais algumas centenas durante o fim de semana, disse o primeiro-ministro Viktor Orban, numa entrevista, segundo o The Guardian.

Uma das vozes críticas contra estas decisões do governo húngaro é o ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, que, numa entrevista ao Bild, apelou à União Europeia que sancione a Hungria pelo tratamento dado aos refugiados.

Gabriel diz que enquanto a Alemanha está a abrir pavilhões, barracas e casas para famílias de refugiados, outros países estão a colocar “arame-farpado nas suas fronteiras e a fechar os portões”.

Porém, a Hungria não é o único país a aconselhar os refugiados a não entrarem no país. Depois de anunciar que só esta semana 13.300 pessoas entraram na Croácia, seis vezes o número do ano passado, o ministro do Interior, Ranko Ostojic, apelou aos refugiados que fiquem na Sérvia, Macedónia e Grécia.
 

“Não venham para [a Croácia]. Fiquem nos centros de refugiados na Sérvia, Macedónia e Grécia. Este não é o cominho para a Europa (UE). Os autocarros não vos podem levar para lá, é mentira”.


Ainda que não tenha anunciado uma fronteira física, como a Hungria, a Croácia já fechou sete, de oito, das estradas de entrada no país.

Devido ao agravamento da situação com os refugiados, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, já convocou uma reunião de emergência com os líderes europeus para a próxima quarta-feira.