A polícia turca deteve quatro sírios suspeitos de estarem envolvidos na organização da travessia feita pelo barco que afundou durante a viagem, e que transportava 12 pessoas, incluindo ao menino sírio cujo corpo deu à costa numa praia turca, uma imagem que correu mundo e despertou mais consciências para o problema dos refugiados.
 
Entre os quatro detidos, está o capitão do barco. As detenções foram realizadas na quarta-feira à noite e, neste momento, procede-se à fase de interrogatório, segundo a agência de notícias turca Dogan, que é citada pela Reuters. 

Entretanto, a Turquia promete manter as portas abertas para os refugiados, segundo o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, ao mesmo tempo que o presidente Tayyip Erdogan pede mais sensibilidade à Europa para acolher migrantes.
 
"Definitivamente não posso admitir a forma como algumas nações europeias estão a classificar os refugiados.  Estão a ser classificados, um por um. Como podem fazer isso? Eles não são produtos agrícolas. São seres humanos. Devemos recebê-los todos como seres humanos, sem distinção"

 A Turquia tem suportado o peso das consequências humanitárias da guerra na vizinha Síria, com cerca de 2 milhões
refugiados, desde março de 2011.

Tornou-se, ao mesmo tempo, ponto de partida para muitos migrantes que tentam chegar à Europa. Ou até para outros continentes, como era o caso da família do menino sírio.

"Toda a humanidade será responsável por este menino de três anos de idade", assumiu o presidente da Turquia. 

Erdogan alertou que o seu país está a ficar sem capacidade e já gastou 6,5 mil milhões de dólares, cerca de 5,8 mil milhões de euros para dar asilo e cuidar dessas pessoas, tendo recebido, apenas, 400 milhões de dólares de ajuda externa. 

Da UE, as duas maiores potências - Alemanha e França - anunciaram que vão apresentar à União Europeia uma "iniciativa comum” para a imposição de quotas obrigatórias para o acolhimento de refugiados pelos países europeus.