Os primeiros-ministros da República Checa, Hungria, Polónia e Eslováquia rejeitam qualquer sistema de quotas obrigatórias para aceitar migrantes. A posição foi divulgada esta sexta-feira, num comunicado conjunto.

Os governantes consideram "inaceitável" qualquer proposta "que conduza à introdução de quotas obrigatórias e permanentes" em relação à distribuição de migrantes e refugiados na Europa.

O comunicado surge depois de Alemanha e França terem anunciado, na quinta-feira, que vão propor à União Europeia uma iniciativa conjunta que inclui a imposição de quotas obrigatórias para o acolhimento de refugiados pelos países europeus.

A ideia de quotas obrigatórias parece estar, assim, a dividir o velho continente.

Em julho, o Conselho Europeu recusou uma proposta da Comissão Europeia de estabelecer quotas obrigatórias para reinstalação e recolocação de refugiados, tendo os chefes de Estado e de Governo dos 28 chegado a acordo para o acolhimento de 32 mil pessoas oriundas da Síria e da Eritreia, aquém das 40 mil propostas pelo executivo comunitário, em maio.  

Mas agora, o número acordado parece ser insuficiente para fazer face aos milhares de migrantes que têm chegado à Europa nos últimos dias.

Fontes próximas da Comissão Europeia também avançaram, esta quinta-feira, que Jean-Claude Juncker prepara-se para pedir aos estados-membros que acolham mais 120 mil migrantes do que o que estava previsto, pelo que o total de refugiados a serem distribuídos pode atingir os 160 mil.

O alto comissário das Nações Unidas para os refugiados, António Guterres, apelou esta sexta-feira à distribuição de pelo menos 200.000 refugiados, defendendo que todos os estados-membros deviam ter a obrigação de participar neste programa.