A Alemanha, que introduziu temporariamente o controlo das suas fronteiras há cerca de um mês, vai manter a medida até 31 de outubro, anunciou esta terça-feira um porta-voz do Ministério do Interior germânico.

Berlim implementou os controlos das fronteiras a 13 de setembro, para travar a entrada de dezenas de milhares de refugiados no país, suspendendo assim os acordos de Schengen sobre a livre circulação no espaço europeu.

“A situação nas fronteiras é tal que não podemos passar sem esta medida”, sublinha-se na carta endereçada à Comissão Europeia ministro do Interior alemão.

Também o Governo austríaco se pronunciou hoje sobre a crise dos refugiados, afirmando que espera receber 80 mil pedidos de asilo este ano, um número considerado “excecional” por especialistas contactados pela Lusa, que notam no entanto que a Áustria tem “tradição” de acolher refugiados.

“A situação atual é excecional. Basta olhar para as estatísticas”, disse à Lusa Istvan Ivanovic, diretor de uma casa de acolhimento de refugiados da organização Volkshilfe Wien. “Mas sempre houve refugiados. Em 1955, da Hungria, em 1968 da Checoslováquia, em 1974 do Chile, em 1980 da Polónia, nos anos 1990 dos Balcãs, depois do Iraque e do Afeganistão, agora da Síria. Sempre houve ondas [de refugiados], a diferença desta é que os números são superiores.”

Com a aproximação do inverno e a deterioração das condições de viagem, o fluxo deverá reduzir-se. Mas, só em setembro, segundo o governo federal austríaco, terão entrado entre 170 mil e 200 mil migrantes neste país de 8,5 milhões de habitantes. No entanto, nota Ruth Schöffl, porta-voz do Alto Comissariado para os Refugiados da ONU (ACNUR) em Viena, apenas uma pequena percentagem destas pessoas ficarão na Áustria.