A Amnistia Internacional criticou a resposta "lamentavelmente inadequada e vergonhosa" da cimeira da União Europeia (UE) à crise no mar Mediterrâneo, que não vai "parar a espiral de mortes" de migrantes e refugiados.

De acordo com o projeto de declaração da cimeira de Bruxelas, ao qual a organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional (AI) teve acesso, os líderes da UE deverão rejeitar o alargamento das operações de busca e socorro no Mediterrâneo e duplicar a Operação Triton, de vigilância das fronteiras europeias.

Se a UE aprovar esta proposta, esta operação será inferior, em termos financeiros, humanos e operacionais, relativamente à anterior operação italiana 'Mare Nostrum' (2013/2014).

Mais, segundo o jornal «The Guardian», que também teve acesso a um documento confidencial, a UE vai garantir apenas 5000 autorizações de residência (asilo).



O documento indica ainda que a maioria dos 150 mil migrantes, que durante o ano passado conseguiram chegar à Europa, serão enviados de volta para os países de origem, através de um novo programa de intervenção rápida coordenado pela agência de fronteiras da UE, Frontex. 

Os líderes europeus descrevem a crise humanitária como uma tragédia e admitem mobilizar esforços para prevenir novas mortes no mar, incluindo cooperar com os países de origem dos migrantes. As primeiras medidas serão identificar, capturar e destruir barcos utilizados por traficantes. 

A UE promete levar estes traficantes à justiça, tomar as suas propriedades e remover qualquer propaganda online que esteja a aliciar migrantes e refugiados.

«A nossa prioridade é prevenir que mais pessoas morram no mar. Decidimos reforçar a nossa presença no [Mediterrâneo], para combater os traficantes, prevenir a imigração ilegal e reforçar a solidariedade interna», diz o comunicado, antes de assegurar que a UE vai apoiar todos os esforço para restaurar um governo na Líbia e ajudar a dar resposta à situação na Síria.

A reunião dos líderes europeus ocorre esta tarde, em Bruxelas, numa cimeira extraordinária agendada na sequência do naufrágio que provocou a morte a cerca de 800 imigrantes no domingo