O número de pessoas que arriscam a travessia do Mediterrâneo para tentarem chegar à Europa não para de aumentar. Desde o início do ano, foram já 103 mil. E, do outro lado, há 1,2 milhões à espera de uma oportunidade. 

Os números do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) indicam que a barreira dos 100 mil migrantes foi ultrapassada com a chegada de 5900 no último fim-de-semana. 

Estas pessoas foram recolhidas por navios de vários países, envolvidos na operação Tritão. Uma missão europeia, sob coordenação da Guarda Costeira de Itália.

Foi a este país que chegaram maior parte dos migrantes, cerca de 54 mil. Na lista segue-se a Grécia (48 mil), Espanha (920 mil), e Malta (91 mil).

O porta-voz do ACNUR Adrian Edwards disse que os dados deste ano representam um “dramático aumento”. Os migrantes fogem de conflitos no Médio Oriente e em África, mas também à miséria. 

Mais de um milhão na Líbia

Apesar do aumento do fluxo de pessoas que arriscam a vida numa travessia controlada, em grande medida, por grupos criminosos, são muitos mais aqueles que esperam por uma oportunidade na Líbia  

Dados da polícia espanhola divulgados esta terça-feira, num encontro em Las Palmas, dedicado ao problema do tráfico humano, indicam que há 1,2 milhões de pessoas naquele país que pretendem chegar à Europa. 

São migrantes de múltiplas nacionalidades, dispersos por uma faixa costeira que vai de Trípoli à fronteira com a Tunísia. 

O vazio de poder na Líbia e o caos em que se encontra o país tornou-o um ponto de operações ideal para as redes de tráfico humano.

Além de explorados por estes grupos, os migrantes realizam as travessias em condições muito precárias e arriscadas. Desde o início do ano já morreram ou desapareceram pelo menos 1850 pessoas.