O navio Lifeline com 230 passageiros a bordo ainda não recebeu instruções de La Valeta para atracar em Malta, tal como tinha sido anunciado, disseram esta quarta-feira responsáveis pela organização não-governamental alemã que recolheu os migrantes no Mediterrâneo.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, disse na terça-feira que Malta tinha concedido autorização para o navio atracar num dos portos do país, mas as autoridades maltesas ainda não concederam a autorização porque estão aparentemente a aguardar a reação dos países europeus eventualmente disponíveis para recolher as 230 pessoas que se encontram a bordo da embarcação.

Até ao momento, Portugal, França e Itália foram os Estados que mostraram disponibilidade para acolher alguns dos migrantes que se encontram a bordo do Lifeline.

Entretanto, a organização alemã pediu autorização a Malta para que seja possível ao navio aproximar-se da costa da ilha por causa das más condições climatéricas que se fazem sentir na zona.

As ondas e os fortes ventos estão a afetar as pessoas que se encontram a bordo sendo que a previsão meteorológica indica agravamento do estado do tempo na área onde se encontra o navio, ao largo de Malta.

De acordo com a Lifeline três migrantes tiveram de ser retirados de emergência do navio devido a más condições de saúde tendo sido hospitalizados.

O fundador da organização Lifeline, Axel Steier, acusou o ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, de estar a bloquear “a entrada do navio em Malta” acrescentando que, por outro lado, políticos europeus já “mostraram vontade para resolver a situação”.

O navio tem mais de 200 pessoas a bordo e este é o sexto dia em que o Lifeline se encontra no mar - enfrentando condições meteorológicas que estão a piorar”, refere a organização não-governamental através de um comunicado difundido hoje.

A organização humanitária responde também às acusações que considera falsas por ter, alegadamente, ignorado as ordens do Centro de Coordenação de Resgate de Roma e que vão suscitar a abertura de um inquérito por parte das autoridades de Malta.

“É importante sublinhar que a única ordem que o navio não cumpriu foi a de não entregar as pessoas ao Serviço Costeiro da Líbia, porque a ação ia contra a Convenção de Genebra sobre Refugiados e, portanto, era ilegal”, acrescenta a Lifeline.

A organização explica que no passado dia 21 de junho “após solicitação às autoridades líbias sobre um porto seguro, o navio recebeu como resposta que podia desembarcar as pessoas em Tripoli o que teria sido uma violação do princípio de retorno”.

“É importante sublinhar que a Lifeline obedeceu a todas as instruções das diferentes autoridades marítimas sempre que estas atuaram em conformidade com o direito internacional”, acrescenta a organização humanitária alemã.

Enquanto se espera a autorização de desembarque em Malte, o ministro do Interior de Itália, Matteo Salvini, regozijou-se pela "vitória do governo de Roma" referindo-se à proibição de desembarque de migrantes resgatados ao mar por organizações não-governamentais que prestam serviços de socorro no Mediterrâneo.

A medida do executivo italiano impediu este mês o desembarque de 630 migrantes que se encontravam a bordo do navio Aquarius que acabaram por ser acolhidos pelo Estado espanhol.