A justiça italiana abriu um inquérito contra o ministro italiano do Interior Matteo Salvini por "sequestro de pessoas, detenções ilegais e abuso de poder" devido à retenção de migrantes a bordo do navio Diciotti, noticiam os media italianos.

O seu chefe de gabinete também é visado na mesma investigação, que foi iniciada pelo Ministério Público de Agrigento, na Sicília, mas será agora conduzida por um "tribunal de ministros" em Palermo, a capital desta ilha do sul, de acordo com a mesma fonte.

Esta decisão surge após o interrogatório de dois altos funcionários do Ministério do Interior, conduzido no sábado, em Roma, por Luigi Patronaggio, o procurador de Agrigento, que tinha aberto uma investigação sobre este caso, para entender a cadeia de comando e quem deu a ordem para proibir o desembarque de migrantes.

A decisão da Justiça não esmoreceu a vontade de Matteo Salvini, o líder da Liga (extrema direita), de continuar a sua luta contra a imigração.

"Eles (os magistrados) podem travar-me, mas não a vontade de 60 milhões de italianos", cuja maioria parece favorável à sua política, afirmou o ministro numa reunião política no norte da Itália.

Migrantes desembarcam nas próximas horas

Matteo Salvini confirmou este sábado que os 138 migrantes retidos no navio militar "Diciotti" desembarcarão nas próximas horas e serão acolhidos em países como Albânia e Irlanda, bem como pela igreja católica italiana.

"Alguns imigrantes vão para a Albânia, o governo albanês demonstrou ser melhor do que o francês (...) O resto dos imigrantes irão para mais um ou outro país, mas a maioria será acolhida pelos bispos da Igreja italiana", disse Salvini em Pinzolo (norte de Itália).

Fontes do Ministério do Interior afirmaram que "em breve começarão as operações de desembarque" e os imigrantes "serão levados para um centro de Mesina", na Sicília, antes que comecem a ser encaminhados para a Albânia e Irlanda e sejam acolhidos pela Igreja.

O porta-voz da Conferência Episcopal italiana (CEI), Ivan Maffei, confirmou à agência de notícias ANSA que "a Igreja italiana vai acolher uma centena" e sublinhou que este acordo "põe fim ao sofrimento destas pessoas".

A Albânia deverá receber 20 refugiados e a Irlanda entre 20 a 25.

Este acordo põe fim a um impasse de dez dias durante os quais os imigrantes permaneceram a bordo do navio da guarda costeira italiana, cinco no mar e outros cinco retidos no porto de Catânia.

O navio "Diciotti" salvou do Mediterrâneo 177 migrantes, a 16 de agosto, e permaneceu cinco dias no mar, até atracar, a 20 de agosto, no porto de Catânia, mas o ministro do Interior, da extrema-direita, não permitiu o desembarque.

A 22 de agosto desembarcaram 27 menores, com idades entre os 14 e os 17 anos, e hoje mais doze.

Salvini afirmou que mantém a sua determinação em travar os fluxos migratórios para Itália e sublinhou que "o próximo navio (que queira desembarcar em Itália) pode dar a volta e regressar".