Nos últimos dias têm circulado nas redes sociais vídeos e fotografias de refugiados que tentam chegar à Europa e que causaram indignação tanto aos que os entenderam como verdadeiros como àqueles que questionaram a sua veracidade. Um desses exemplos é o boato já confirmado de que um falso jihadista estaria infiltrado entre os milhares de pessoas que atravessaram o Mediterrâneo para fugir à guerra na Síria e ao Estado Islâmico.

São histórias que surgem numa altura em que a crise humanitária se adensa, com o fluxo migratório cada vez mais intenso e numa altura também em que os Estados-membros da União Europeia acertam estratégias de acolhimento dos milhares de refugiados que se encontram em solo europeu.
 
A imagem do suposto militante do Estado Islâmico tornou-se viral, mas, de acordo com a BBC,  trata-se precisamente do contrário, ou seja, da imagem de um homem que combateu o EI e que está  perfeitamente identificado . Chama-se Laith Al Saleh e, em agosto, deu uma  entrevista à Associated Press .
 

Remember this guy? Posing in ISIS photos last year - now he's a "refugee"Are we suckers or what!

Posted by Peter Lee Goodchild on  Quinta-feira, 3 de Setembro de 2015


O responsável por esta publicação no Facebook disse à BBC que está arrependido e que lamenta ter contribuído para uma interpretação errada dos factos. “Copiei a foto de boa-fé", assumiu Peter Lee Goodchild, pedindo "desculpa por qualquer dano ou ofensa" causado.
 
Outra história muito propalada dá conta da alegada recusa dos refugiados que se encontravam na fronteira entre a Grécia e a Macedónia em receberem bens alimentares da Cruz Vermelha por motivos religiosos.
 
O autor das filmagens já condenou publicamente a má interpretação, esclarecendo que os refugiados tinham passado três dias naquela 'terra de ninguém' e que a filmagem tinha ocorrido depois de terem passado duas horas debaixo de chuva torrencial sem dali poderem sair. Quando a Cruz Vermelha trouxe comida e água, recusaram-na de forma pacífica, mas sob protesto e não por motivos religiosos. Uma informação também confirmada pela Cruz Vermelha, que garante que a sua ajuda está a ser bem acolhida pelos refugiados e migrantes.




Além deste vídeo na fronteira entre a Grécia e a Macedónia, um outro, desta feita na Hungria, também mostra a alegada recusa de ajuda alimentar por parte dos refugiados. Neste caso, esperavam há horas que o comboio partisse e também recusaram os alimentos por protesto contra as autoridades húngaras.




A Cruz Vermelha já veio esclareceu que "tem oferecido assistência a centenas de pessoas na fronteira e vai continuar a fazê-lo enquanto existirem necessidades humanitárias". "Distribuímos entre 3.000 a 4.000 porções de comida por semana e têm sido aceites sem problemas, sem incidentes com pessoas a recusá-las", esclareceu uma responsável da instituição, citada pela imprensa internacional.
 
Na ilha grega de Lesbos, onde se encontram 20.000 dos 30.000 refugiados que estão na Grécia, foram captados confrontos supostamente entre gregos e refugiados, mas os confrontos deram-se entre sírios e afegãos, por estes últimos considerarem que os primeiros estavam a ser privilegiados na atribuição de vistos.

O vídeo que circula não conta a história toda, já que as imagens recolhidas pelo canal alemão RTL ilustram o dia a dia em Lesbos, explicam a origem dos confrontos e também contemplam testemunhos de refugiados e do autarca de Lesbos.




Mas há mais histórias por confirmar e imagens por contextualizar. Como a do lixo que fica para trás à passagems dos migrantes e refugiados, como aconteceu na estação de comboios de Keleti, em Budapeste, na Hungria, onde milhares de pessoas permaneceram vários dias.


                                            (Foto Reuters)

Ou o facto de chegarem à Europa acompanhados de relatos dramáticos de vida, de sobreviverem ao Mediterrâneo e de terem perdido quase tudo menos os telemóveis, a maioria de última geração. 



                                         (Foto Lusa/EPA)