A história do imigrante ilegal que usou o Instagram para relatar a sua jornada captou as atenções da imprensa um pouco por todo o mundo, mas, afinal, não passa de uma campanha publicitária para o festival GETXOPHOTO. O festival de fotografia já partilhou, de resto, o vídeo publicitário com o jovem, que foi gravado na Catalunha.
 
 

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Posted by GETXOPHOTO on  Wednesday, July 29, 2015

As imagens de Abdou Diouf correram o mundo depois de terem sido publicadas no Instagram. Mostravam aquilo que parecia ser a jornada de um migrante ilegal do Senegal até Espanha, com as dificuldades e os perigos que milhares de migrantes enfrentam ao atravessar a Europa. Tinha tudo para ser uma boa história, só que não é real. 

O jornal espanhol El País conseguiu entrar em contacto com Diouf e muitas das respostas do jovem não convenceram os jornalistas. Depois, uma das hashtags utilizadas chamou a atenção do diário espanhol: #getxophoto. Ora, GETXOPHOTO é o nome de um festival de fotografia cuja edição deste ano tem como tema as viagens e, na sua página de Facebook, a organização publicou um vídeo promocional que inclui, precisamente, as imagens de Abdou Diouf.
 
O diário espanhol conseguiu falar com o diretor e porta-voz da produtora do vídeo, Oriol Caba, que explicou que a ideia é “denunciar a frivolidade ocidental” que nos diz que temos de tirar selfies a toda a hora e que “algo não foi vivido se não foi partilhado”.

Apesar de admitir que o tema da imigração ilegal é muito delicado, a organização está satisfeita com o resultado final, como contou Joana E. Sendra, a responsável de comunicação do evento, ao mesmo jornal. Sendra afirmou ainda que o spot "pretende a reflexão” e chamar a atenção do público para quem não decidiu viajar, como os imigrantes e os refugiados.

As  hashtags são utilizadas de forma irónica. A responsável acrescentou que a conta do Instagram não é real, mas que as imagens lá publicadas são o espelho daquilo que muitos migrantes têm pela frente. 

Esta não é a primeira vez que se recorre à ficção para denunciar uma situação trágica. Em novembro do ano passado, o diretor norueguês Lars Klevberg gravou um vídeo onde um menino de oito anos salva uma menina mais nova, em pleno tiroteio na Síria. As imagens correram o mundo, mas afinal não eram reais e tinham sido captadas em Malta com o objetivo de chamar a atenção para as milhares de crianças que sofrem em cenários de guerra.