A União Europeia quer ir mais longe no combate às redes de tráfico de migrantes a operar a partir da Líbia, juntando forças militares em terra aos meios aéreos e navais, noticia o The Guardian nesta quarta-feira, que teve acesso a documentação confidencial, que será apresentada na segunda-feira na reunião conjunta de ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa da UE.

“A operação exigirá um vasto alcance de capacidades aéreas, marítimas e terrestres. Estas podem incluir inteligência, vigilância e reconhecimento; equipas de embarque; unidades aéreas e marítimas de patrulha; meios anfíbios; destruição por ar, terra e mar, incluindo unidades de forças especiais”, consta no documento citado pelo jornal britânico. 

O plano estratégico de 19 páginas centra-se em operações aéreas e navais no Mediterrâneo e nas águas territoriais da Líbia, sempre sob o aval das Nações Unidas, mas acrescenta a possibilidade de ação em terreno líbio para desmantelar as redes de traficantes, destruindo, por exemplo, barcos e bens, como combustível, para impedir o seu uso.

“A presença em terra pode ser considerada caso haja consentimento das autoridades competentes”, ressalva a Comissão Europeia.

Em Bruxelas, foi hoje apresentada a Agenda para a Migração, que inclui quotas de reinstalação de 20 mil refugiados por todos os Estados-membros, anunciou  a chefe da diplomacia europeia e coordenadora da política de segurança, Federica Mogherini, através da rede social Twitter. Esta agenda prevê um regime de reinstalação de 20 mil refugiados por todos os países da União, mas não foi revelado o sistema de distribuição.

Para prevenir novas tragédias no Mediterrâneo será proposto, “até ao final de maio, um mecanismo temporário de reinstalação” em toda a UE que ofereça 20.000 vagas, "distribuídas por todos os Estados-Membros, a pessoas deslocadas na Europa com necessidades inequívocas de proteção internacional”, dotado de “um financiamento suplementar de 50 milhões de euros para 2015 e 2016”.

E até final do ano será apresentada uma proposta de um sistema permanente da UE para a recolocação em situações de emergência de afluxos maciços.

A Comissão adia, no entanto, para o final do corrente mês de maio a proposta do sistema de quotas, a questão que tem levantado mais polémica, face à oposição de Estados-membros como o Reino Unido, que hoje mesmo já reiterou a sua oposição à ideia de ter de receber migrantes que chegam à Europa ilegalmente através do Mediterrâneo.

Entre as outras ações imediatas, a agenda da “Comissão Juncker” propõe triplicar, em 2015 e 2016, as capacidades e os recursos disponíveis para as operações conjuntas da Frontex “Triton” e “Poseidon”, como havia sido acordado na cimeira extraordinária celebrada em abril em Bruxelas, na sequência de naufrágios no Mediterrâneo que causaram centenas de mortes.