O naufrágio no Mediterrâneo que provocou 800 mortos direcionou as atenções para uma dura realidade: os milhares de migrantes de países africanos que tentam, todos os anos, atravessar o mar até à Europa, em viagens ilegais operadas por redes de traficantes que não garantem condições de segurança.

Gassama, um migrante da Gâmbia, conseguiu fazer a travessia da Líbia até à Sicília, mas agora dedica-se a alertar todos os que tentam fazer o mesmo para os perigos destas viagens.  Para o conseguir, o migrante, residente em Milão, criou um grupo no Facebook, « Dìfficulties face by migrants in Libyans» (As dificuldades dos migrantes na Líbia), onde partilha a sua experiência, que contou à BBC.
 

«Criei um grupo no Facebook para educar as pessoas que tentam fazer a viagem e para que saibam as dificuldades que existem. Tentei dizer-lhes que é muito perigoso e vou continuar a fazê-lo.»


O jovem admite que as pessoas têm «todo o direito de ir para a Europa», tal como ele fez, mas deixa o aviso: «ir para a Europa a partir da Líbia é demasiado perigoso».




O início da sua história remonta a 2009, o ano em que abandonou a Gâmbia. Só em novembro do ano passado conseguiu, por fim, chegar à Sicília. 

Depois de ter abandonado o país, foi para o Senegal, depois para o Mali e só daqui conseguiu chegar à Líbia. Pelo caminho fez todo o tipo de trabalho que conseguiu e juntou o dinheiro que pôde para a viagem. Chegado à Líbia, foi tudo mais difícil.

«Foi difícil arranjar trabalho. Fui preso três vezes e tive sempre que pagar para poder sair em liberdade.»


Para tentar conseguir um lugar num dos barcos ilegais teve de pagar não a uma, mas a várias pessoas.

«Os donos dos barcos levam o dinheiro e põem demasiadas pessoas na embarcações. Isso se conseguires lugar. »


A primeira tentativa falhou. Dois dias depois de estar no mar, o barco em que seguia teve de regressar à Líbia. Dinheiro perdido, teve de juntar mais (cerca de 810 euros) para conseguir lugar noutro barco, que ia cheio, sem condições de segurança.

«Havia demasiadas pessoas. Não era seguro. Depois de uma viagem muito difícil, consegui chegar à Sicília. Acabei em Milão. Não foi fácil, mas estou feliz por o ter conseguido.»