Notícia atualizada às 09:40

O polícia que abateu a tiro um adolescente negro na cidade de Ferguson, nos Estados Unidos, assegurou, esta terça-feira, estar de «consciência limpa», afirmando que voltaria a agir da mesma forma.

Darren Wilson disse ter temido pela sua vida antes de sacar a arma – foi a primeira vez que a usou em serviço – antes de abrir fogo, matando o jovem negro Michael Brown, de 18 anos.

«A razão pela qual estou de consciência limpa é porque sei que fiz o meu trabalho como devia», disse Wilson à ABC, falando publicamente pela primeira vez desde o episódio de 9 de agosto. Quando questionado se o incidente terminaria de igual modo se Brown fosse branco, respondeu: «Sim… sem dúvida».


A indignação da cidade de Ferguson, no Missouri, com a decisão de um júri que ilibou o polícia que matou o jovem negro Michael Brown, estendeu-se, esta terça-feira, a 170 cidades em 37 estados norte-americanos, com milhares de pessoas a saírem para as ruas.

Washington DC, Nova Iorque, Los Angeles, Atlanta, Boston, Filadelfia, Oakland e Seattle foram palco, esta noite, das maiores concentrações, de tom pacífico, salvo isolados incidentes e algumas detenções.

Várias pessoas foram presas, esta noite, em Nova Iorque. Centenas de manifestantes saíram para as ruas da maior cidade norte-americana, em várias iniciativas, denunciado a decisão, conhecida na véspera, de um grande júri de não acusar criminalmente o agente Darren Wilson, que matou a tiro, a 9 de agosto, o jovem negro Michael Brown, de 18 anos, em Ferguson.

Os protestos em Nova Iorque refletiam um clima de elevada tensão, mas não se registaram incidentes violentos como os ocorridos na noite anterior na cidade de Ferguson, após o veredicto, onde mais de 80 pessoas foram detidas na sequência de distúrbios que levaram ao destacamento de mais de 2.200 homens da Guarda Nacional para a zona.

O presidente dos EUA voltou a condenar a violência registada em Ferguson, na noite de segunda para terça-feira.

«Incendiar edifícios, queimar carros, destruir propriedade, colocar pessoas em risco,… não há desculpa para isso», afirmou Barack Obama, defendendo que quem for culpado destas ações deve ser acusado.


«Estes são atos criminosos», acrescentou Obama, expressando simpatia pelas minorias que sentem que as leis não são aplicadas «de forma uniforme ou justa».

Obama frisou, no entanto, que percebe «a imensa maioria das pessoas que apenas se sentem frustradas ou magoadas, pelo sentimento de que talvez algumas comunidades não sejam tratadas de forma justa e alguns indivíduos não sejam considerados tão dignos como outros».
 
Cerca de 200 pessoas reuniram-se em frente à sede do Departamento de Polícia de Ferguson, onde alguns gritavam «Sem justiça, não há paz.» Essa multidão bloqueou o tráfego, empurrados pelos polícias e guardas nacionais com escudos antimotim.
 
Pouco antes das dez da noite, segundo o jornal LA Times, os manifestantes marcharam até à Câmara, onde dois homens bateram à porta enquanto gritavam: «Queremos respostas!». As pessoas começaram a atirar tijolos através das janelas, cercaram um carro da polícia vazio, balançando-o para frente e para trás, partiram as suas janelas e pegaram-lhe fogo.
 
A polícia do Condado de St. Louis chegou em veículos blindados e ordenou que as pessoas fossem para o passeio, ameaçando prender qualquer pessoa que se encontrasse na rua. A polícia foi partilhando, durante a noite, os avanços dos protestantes e publicando fotografias sobre os danos.
 
Na manhã de quarta-feira, o chefe da polícia de St. Louis, Jon Belmar, disse que foram feitas 44 detenções, incluindo quatro crimes. O pior dano da noite foi na Câmara, onde a polícia apreendeu um cocktail Molotov, contou Belmar.