Os ministros dos Transportes da Austrália e da Malásia dizem que as duas partes do avião que foram encontradas em Moçambique pertencem “quase de certeza” ao voo MH370 da Malaysian Airlines, que desapareceu em março de 2014. O desaparecimento do aparelho constitui, até hoje, um dos maiores mistérios de sempre da aviação.

As duas peças do avião foram encontradas separadamente por cidadãos anónimos e foram enviados para a Austrália para serem analisados.

Uma das duas partes do aparelho foi encontrada num banco de areia em Moçambique por um investigador amador norte-americano, em fevereiro. A descoberta levou a que um turista sul-africano viesse a anunciar que também tinha descoberto um detrito, em dezembro, perto do mesmo sítio.

Avião desapareceu há dois anos

O voo MH370 da Malasya Airlines partiu a 8 de março de Kuala Lumpur, capital da Malásia, às 00:41 (hora local) com destino a Pequim, China, onde deveria chegar seis horas mais tarde. A bordo estavam 239 pessoas (12 tripulantes e 227 passageiros), a maioria de nacionalidade chinesa. Pouco depois de descolar, desapareceu dos radares. 

O Boeing 777 levava combustível suficiente para 7,5 horas de voo.

As primeiras buscas concentraram-se no mar do sul da China, ao largo do Vietname. Malásia, China e Vietname uniram esforços para encontrar o aparelho. Os primeiros destroços encontrados não passaram, no entanto, de falso alarme. 

O relatório oficial afirmava que o avião caira no Oceano Pacífico e que não haveriam sobreviventes. 

"É com grande tristeza e lamento que, de acordo com novas informações, somos obrigados a concluir que o voo MH370 acabou no oceano Índico”, disse o chefe do governo malaio. 

As informações então divulgadas adiantavam apenas que o aparelho ter-se-ia despenhado no mar, numa zona remota, muito longe de qualquer zona de aterragem e a milhares de quilómetros do que seria a sua rota de Kuala Lumpur até Pequim, confirmando-se que foi desviado. Segundo especialistas, a alteração do rumo terá decorrido de uma “ação deliberada”.

Vários países, como os Estados Unidos e a Austrália, juntaram-se então às buscas.

Tese de terrorismo

A tese de terrorismo foi também investigada. Em maio, o «Independent» afirmava que foram detidas 11 pessoas, sob suspeitas de terem ligações à Al Qaeda e responsabilidade no desaparecimento do voo MH370. 

As autoridades intensificaram as buscas com o aproximar do fim do tempo de vida das caixas negras, mas sem conseguir encontra-las em tempo útil.

Um relatório entretanto divulgado pelo governo da Malásia poucos meses depois revelou que as buscas só começaram quatro horas após o desaparecimento do aparelho. O documento indica que as autoridades só se aperceberam que o avião tinha desaparecido 17 minutos depois de este ter saído do radar e dá conta de horas de confusão antes do Centro de Salvamento Aeronáutico (ARCC) ser ativado.

Em maio, o Ministério Público francês abre um inquérito judicial por homicídio, uma vez que quatro pessoas de nacionalidade francesa estavam entre os passageiros.

Em julho do ano passado, uma peça de um avião foi encontrada na ilha de Reunião. As análises dos peritos franceses confirmaram que se tratava de parte da asa do  Boeing 777 da Malaysia Airlines.

As autoridades australianas afirmaram esta segunda-feira que consideram “muito provável” encontrar destroços antes de julho, quando termina a atual operação.

"Cobrimos cerca de três quartos da área de busca e não encontrámos rastro do aparelho, o que aumenta a probabilidade de que esteja onde ainda não procurámos”, disse o comissário-chefe do Departamento de Segurança dos Transportes da Austrália, Martin Dolan.