O Presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, afirmou que a mutilação genital feminina (MGF) vai ser banida no país. Apesar de garantir que a medida vai ser implementada de imediato, não adiantou ainda quando é que o governo vai implementar uma legislação para proibir a prática.

A decisão do Presidente foi inesperada e surgiu depois de uma campanha do The Guardian, que se juntou a vários ativistas no país, para tentar banir a prática, que envolve a remoção cirúrgica do clitóris e parte da vulva. Uma medida que pode gerar controvérsia e oposição, uma vez que a prática faz parte da tradição na Gâmbia, onde 76% das mulheres foram já mutiladas.
 

“Estou espantada com a ação do Presidente. Não esperava isto num milhão de anos. Estou muito orgulhosa do meu país e muito, mesmo muito, feliz. Penso que o Presidente sempre se importou com o assunto, mas foi algo que nunca lhe chamou à atenção. O impressionante é que é altura de eleições e isto pode custar-lhe a vitória. Ele pôs as mulheres e as raparigas à frente, o que pode afetá-lo. Isto mostra que ele se importa mais com as mulheres do que com os votos”, declarou a ativista Jaha Dukureh, ao The Guardian.


Jaha Dukureh vai agora trabalhar com o presidente, para redigir a legislação.

Contudo, a proposta de lei não deve ser facilmente aceite na Gâmbia, uma vez que muitas pessoas afirmam que a MGF é permitida no islão, que é a religião maioritária no país.

Segundo o The Guardian, em 2014, um dos representantes da religião muçulmana, no país, negou a existência de MGF na Gâmbia, alegando que se tratava de “circuncisão feminina”.
 

“Eu nunca ouvi falar de alguém que tivesse morrido devido à MGF. Se souberem o que significa MGF percebem que não a praticamos aqui. Não mutilamos as nossas crianças”, declarou Alhaji Abdoulie Fatty, ao jornal local Kibaaro News.


Ainda assim, a prática tem tido cada vez menos apoiantes entre as mulheres, de todas as idades.

Em 2015, a MGF já foi banida na Nigéria, que se juntou a outros 18 países africanos que baniram a prática.

Apesar disto, os últimos dados recolhidos apontam que 130 milhões de mulheres são sujeitas a esta prática, na África e no Médio Oriente. Na Gâmbia estima-se que 56% das jovens, com menos de 14 anos, já tenham sido submetidas à circuncisão.

A MGF pode acarretar problemas de saúde ao longo da vida, entre eles dores, sangramento, infeções e infertilidade.