As freiras do Convento das Religiosas da Cruz do Sagrado Coração, no México, tomaram uma das mais difíceis e importantes decisões para salvar o convento: vender Cristo.

Segundo conta o El Mundo, a madre superiora do convento, a irmã Julia Cantú, decidiu vender a imagem de origem indo-portuguesa, que estava guardada numa capela onde ninguém entrava, depois de a congregação enfrentar obras de manutenção importantes e bastantes dispendiosas.

No entanto, a decisão de vender a imagem não foi tomada apenas pela madre superiora. Em conversa com as 16 monjas com quem partilha o convento, e depois de pedir «conselho à madre superiora que coordena todos os conventos da zona», Cantú chegou à conclusão que só lhes restava essa solução.

«Tínhamos de pagar a manutenção diária. A primeira fase das obras custou 14 mil euros e pagamos com donativos, mas para a segunda fase já não temos dinheiro», explicaram as freiras ao jornal.

A decisão estava tomada, mas o que se seguiria a seguir não seria fácil e, quando entregou a imagem de talha dourada na casa de leilões Gimau, em Monterrey, Julia Cantú foi avisada das críticas que ia sofrer.

«Terá de tourear com os que a criticarão e com os que a aplaudirão por tomar a decisão de vender o Cristo», advertiu Guillermo Garza, dono da Gimau, ao «El Mundo».

Foi também Garza que, ao perceber a urgência e grande necessidade das freiras, adiantou algum dinheiro para que pudessem ir pagando algumas dívidas.

«Prefiro não pedir mais dinheiro, já temos quem ajude com doações, mas não chega», justifica a madre superiora.
A relíquia foi então leiloada pela Casa Gimau a 29 de janeiro e «antes de começar o leilão já haviam três ofertas que superavam o valor de saída de 4200 euros». A peça acabou por ser vendida por 7750 euros.

«Foi comprada por um senhor que estava na sala, que comprou a imagem e saiu», recorda Garza, que abdicou do seu lucro e deu todo o dinheiro às irmãs para que realizem as obras.