Não tem de comer menos nem foi por comer mais que chegou aos 28 kg de peso em apenas dez meses de vida. As imagens do excesso de peso de Luis Manuel González correram mundo e chegaram a uma conclusão: o pequeno grande mexicano tem uma inflamação celular, que o condena, presentemente, a um peso de uma criança de nove anos.

O menino não tem a síndrome de Prader-Willi [doença que desencadeia uma fome insaciável]. De acordo com os testes genéticos realizados, constatámos que sofre de uma obesidade causada por uma inflamação celular", explicou à BBC Mundo o cardiologista Gustavo Orozco, do Instituto de Investigação de Inflamações, em Guadalajara, que está a seguir o bebé.

Esta inflamação celular, causada por uma carência no sangue e no leite materno dos ácidos eicosapenta­enoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA), isto é, ômega 3, fazem com que Luis Manuel González cresça de forma atípica.

Ou seja, carências nutricionais durante a gravidez e o aleitamento que “programaram”, ainda no útero, a obesidade do bebé mexicano.

Por não ter recebido níveis adequados de ômega 3, Luis Manuel González cresceu obeso comendo normalmente, devido à produção excessiva de insulina.

Apesar do peso acumulado em apenas dez meses, este bebé não vai necessariamente tornar-se num adulto obeso.

Neste momento, a recuperação de Luisito, como é tratado pelos pais, “não consiste em medicamentos nem em cirurgias”.

O tratamento é nutricional. Tem de ser uma dieta em que o consumo de açúcares refinados seja severamente reduzido, para que o corpo não produza muita insulina de cada vez que o bebé comer açúcares. E deve ser rica em gorduras, gorduras anti-inflamatórias derivadas do azeite, de amêndoas e nozes e, sobretudo, do peixe, não apenas sob a forma de alimento, mas também como suplemento alimentar de ômega 3, na forma líquida e em doses muito altas, como 10 gramas por dia", explicou o médico.