A Turquia ameaça cancelar o acordo que estabeleceu com a União Europeia sobre a crise de refugiados, caso os responsáveis europeus não cumpram com a sua palavra. O aviso foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, no parlamento, esta segunda-feira.

A União Europeia e a Turquia chegaram a acordo sobre a crise de refugiados no mês passado. O acordo, que entrou em vigor a 20 de março, prevê que os novos migrantes que cheguem à Europa ilegalmente sejam enviados novamente para a Turquia.

Em troca, a União Europeia aceitou duplicar a ajuda financeira a Ancara, que passou de três mil milhões para seis mil milhões de euros. 

Mas há outra ideia importante: é que este acordo criou expetativas quanto à possibilidade de as negociações sobre a entrada da Turquia na União Europeia ganharem um novo fôlego.

As declarações de Cavusoglu surgem no dia em que a agência Frontex informou que o número de refugiados que entraram na Europa diminuiu em março. A redução é, precisamente, uma consequência da entrada em vigor do acordo.

De acordo com a Frontex, em março entraram 26.460 refugiados na Europa através da rota Turquia-Grécia. Um número que representa metade do que foi verificado em fevereiro.

O acordo tem, no entanto, merecido várias críticas de organizações e entidades a nível mundial.

A Amnistia Internacional, por exemplo, considerou que o acordo é um "golpe histórico" nos direitos humanos. O Egito, por sua vez, advertiu que este pacto poderá violar os tratados internacionais que protegem os direitos dos refugiados. Já a UNICEF alertou que cerca de 19 mil crianças refugiadas retidas na Grécia podem ficar em risco, ao serem desviadas para rotas mais perigosas. E os Médicos Sem Fronteiras decidiram suspender as suas atividades no centro de registo de Moria, em Lesbos, Grécia, por discordarem do acordo.