Fontes da investigação às caixas negras do avião da companhia civil russa, Metrojet, que caiu na província do Sinai, no Egito, no sábado, com 224 pessoas a bordo, revelam que se ouvem “barulhos estranhos” no cockpit do avião antes do desastre.
 
O jornal britânico Independent cita, esta terça-feira, os meios de comunicação russos, que desvendam as últimas novidades da investigação à queda do aparelho que vitimou, na maioria, cidadãos russos, e que já levou à apresentação pública das condolências por parte de Vladimir Putin e Dmitri Medvedev. As mais altas figuras russas não opinaram sobre as causas do desastre, ordenando uma investigação aprofundada, mas, uma fonte do Kremlin, ouvida pela agência Reuters, não descartou a hipótese de um ato terrorista.
 
O que se passou naqueles últimos momentos pode ser crucial para definir qualquer uma das teses: acidente ou atentado. Segundo a agência russa Interfax, “as gravações revelam sons pouco característicos daqueles que são habituais numa cabine de voo, pouco antes do avião desaparecer dos radares”.
 
Estas informações da investigação preliminar obrigam a deixar todas as hipóteses em aberto: falha técnica, erro humano, atentado ou sabotagem. E, se o diretor da CIA, James Clapper, afirmou que não há nenhuma “prova” que ligue diretamente a queda do avião russo a um atentado terrorista e que a hipótese do Estado Islâmico ter provocado a tragédia é bastante "improvável", os serviços de inteligência americanos também dão conta de que um satélite detetou um clarão, na zona de Sinai, no momento da queda do avisão russo, ou seja, adensando a possibilidade de uma explosão a bordo.
 
Os media russos acrescentam que, “após um período em que se ouvem as conversas de rotina entre a tripulação, há sons pouco comuns”, que sugerem “que houve uma situação de emergência a bordo, que apanhou a tripulação de surpresa, e que não deu tempo aos pilotos de lançarem um sinal de socorro”.
 
Aos comandos do avião seguia o piloto Valery Nemov, que tinha 12 mil horas de voo, quase quatro mil das quais passadas no cockpit de aparelhos Airbus A321. Partilhava a cabine de voo com o copiloto Sergei Trukachev. A mulher de Trukachev disse ao canal russo NTV, de acordo com a Associated Press, que o marido tinha falado com a filha “pouco antes do voo” e que “se queixara que as condições técnicas do avião deixavam muito a desejar”.
 
O A321 estava alugado à Metrojet, que opera desde 2012, por uma empresa irlandesa. Segundo apurou a CNN, o aparelho foi construído em 1997. De acordo com a construtora, a Airbus, este A321 tinha 56 mil horas de voo, o que representa cerca de 21 mil voos.
 
As inspeções ao avião estão aparentemente em ordem e os responsáveis da companhia russa Kogalymavia, que voa com a designação de Metrojet, afirmaram, na segunda-feira, que o aparelho tinha sido alvo de manutenção no dia 26 de outubro e não houve qualquer relatório, por parte da tripulação, de problemas naquele aparelho nos voos que antecederam a viagem fatídica.

A CNN noticia também esta terça-feira, que um satélite militar dos Estados Unidos detetou um foco de calor proveniente do Airbus A321. 

Especialistas consideraram que o facto de destroços e cadáveres estarem espalhados por uma vasta área apontam para que o avião se tenha partido em pleno voo, um fenómeno raro mas não sem precedentes.

Entretanto, o segundo avião fretado pelo Kremlin para trazer os corpos das vítimas, já aterrou esta terça-feira em São Petersburgo, na Rússia.