Doze crianças de uma equipa de futebol e o treinador, de 25 anos, estão presos numa gruta na Tailândia há 11 dias e no exterior da mesma há uma equipa de resgate a pensar em todas as possibilidades para os retirar de lá.

A missão é difícil e para já há dois cenários de resgate "em cima da mesa".

Os jovens estão num local seco na gruta, mas sair é muito complicado e arriscado, devido à água que impede qualquer saída sem ser a nado e por longos metros em túneis estreitos, o que pode demorar meses.

Por isso, equipas de resgate norte-americanas, britânicas e tailandesas estão no local e fazem viagens entre a superfície e o sítio onde estão os meninos, levando-lhes mantimentos e material para se aquecerem e estudando o percurso.

Neste momento, o Plano A será ensinar os meninos, com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos, a nadar, já que nem todos sabem, e depois ensinar-lhes técnicas para aguentarem o percurso. Mesmo assim, será sempre uma hipótese arriscada porque até para um SEAL (elemento da marinha) conseguir fazer o percurso nos túneis, com muitos obstáculos e estreitos, é um desafio.

Cade Courtley, ex-SEAL dos EUA, analisou o resgate à CNN: "Eu fazia parte de uma unidade de mergulho muito especial e este seria um mergulho desafiador para mim e para a minha equipa. Agora imagine o que vai na cabeça das crianças, entre os 11 e os 16 anos, algumas das quais nem sabem nadar, para fazer a mesma viagem pela primeira vez respirando debaixo de água."

Amnar Mirza, um mergulhador com 30 anos de experiência, relatou à mesma fonte a dificuldade do mergulho: "É algo que mergulhadores experientes passam centenas de horas a treinar para, depois de já terem mergulhado em águas abertas há algum tempo, o fazerem. Um momento de pânico ou de perda de regulação de respiração pode ser fatal para um mergulhador que está a iniciar e pode também colocar o mergulhador que o acompanha em perigo."

As crianças nunca fariam o percurso sozinhas, até porque não conseguem carregar as bombas de oxigénio e terão de respirar pela bomba do SEAL. Para reduzir o risco de ficarem sem oxigénio serão instalados ao longo do percurso, a cada 25-30 metros, mais bombas de oxigénio.

A acrescentar a estas dificuldades, é preciso ter em conta que os jovens estão subnutridos, já que estão a ser alimentados apenas com barras energéticas.

Um fator que tem sido descrito como fundamental é o facto do mergulhador que viaje com a criança ser tailandês, para poder comunicar com a criança e assim esta se sentir mais confiante e criar vínculo.

Eles precisam de conforto, precisam de falar com alguém na sua língua materna, alguém que possa mantê-los calmos", disse Torsten Lechler, um mergulhador que trabalha para a Mermaid Subsea Services, empresa que fornece equipamentos para os trabalhos submarinos de extração de petróleo e gás e que tem colaborado com a equipa de resgate.

Aliás, esta empresa está a fornecer as máscaras para as crianças usarem.

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Para além da máscara, as crianças estarão equipadas com roupas de borracha, botas e capacetes e os mergulhadores usarão uma corda estática de 8mm que já está posicionada para os guiar até à superfície, disse Ruengrit Changkwanyuen, coordenador do contingente tailandês da equipa internacional de mergulho em cavernas, que localizou os meninos na noite de segunda-feira.

Este é o Plano A e poderá levar meses a executar, já que o mínimo deslize pode ser fatal. A época de monções apenas termina em outubro e teme-se que a água inunde as cavernas, por isso há bombas a trabalhar a toda a hora para extrair essa águas e evitar uma inundação que seria trágica.

O Plano B passa por encontrar um novo túnel de acesso à caverna, já que quando os mergulhadores se encontraram com os jovens no túnel, estes relataram que tinham ouvido cães a ladrar. Este facto sugere que pode haver uma nova abertura e, neste momento, especialistas em alpinismo estão a procurar a possível entrada.

O mergulhador finlandês, Mikko Paasi, está integrado na equipa de resgate e falou sobre esta possibilidade.

As crianças disseram que ouviram sons de animais, por exemplo latidos de cães, dentro da caverna. Isso aumentou a nossa esperança de que possa haver algum tipo de racha que leve à caverna. Agora estamos a tentar encontrar outro caminho para a caverna em vez de mergulhar ou perfurar um novo túnel", disse.

O especialista referiu ainda que é difícil localizar o local de entrada desse som, já que o som é refletido pelas paredes da caverna.

Ao longo das próximas horas, a equipa de resgate vai continuar a analisar a situação e tentará criar novos planos alternativos, para agir caso os dois primeiros não funcionem. Para já a chuva tem dado tréguas nas últimas horas, o que tem sido bom para os trabalhos.

Os rapazes, de 11 a 16 anos, e o seu técnico entraram na caverna Tham Luang Nang Non depois de uma partida de futebol no dia 23 de junho.