Donald Trump lançou um boletim de notícias em vídeo com o objetivo de combater os meios de comunicação social tradicionais e as supostas “notícias falsas”. O novo projeto do presidente dos Estados Unidos foi apelidado pela imprensa americana de “Trump TV” e já está a causar polémica.

O primeiro vídeo foi lançado no final de julho e foi apresentado por Lara Trump, mulher de Eric Trump e nora de Donald Trump.

Aposto que não ouviram falar de todos os feitos do presidente nesta semana por causa de todas as notícias falsas que circulam por aí”, disse Lara Trump, enquanto apresentava o programa.

Ao longo do vídeo, com cerca de um minuto, Lara fez um resumo das alegadas “notícias verdadeiras” da semana, todas elas sobre as conquistas de Donald Trump, nomeadamente nas áreas da economia e da imigração.

No último domingo, foi lançado o segundo episódio do programa. Desta vez foi apresentado por Kayleigh McEnany, que, até sábado, era jornalista da CNN. Kayleigh sempre se assumiu como uma apoiante de Donald Trump e da sua presidência.

Muito obrigada por se juntarem a nós. Eu sou a Kayleigh McEnany e estas são as notícias reais", disse a jornalista neste vídeo.

A transmissão foi feita a partir da "Trump Tower", em Nova Iorque, e o vídeo foi publicado na página de Facebook de Donald Trump.

De acordo com a "Trump TV", as “notícias verdadeiras” sobre os Estados Unidos são, por exemplo, a diminuição do desemprego, o crescimento da economia e o aumento da confiança dos consumidores.

É "o tipo de propaganda da Coreia do Norte"

O novo projeto de Donald Trump tem gerado indignação na classe política e nos meios de comunicação social do país. Há quem considere que se trata de propaganda ao estilo dos governos autoritários.

Evan McMullin, que foi candidato à presidência dos Estados Unidos contra Hillary Clinton e Donald Trump, comparou os vídeos à propaganda feita na Coreia do Norte.

Isto é o tipo de propaganda que se vê na Coreia do Norte. Destrói a capacidade das pessoas de discernir a verdade e responsabilizar o governo", escreveu Evan McMullin, no Twitter.

O jornal Washington Post defendeu que os vídeos não parecem noticiários, mas sim “propaganda real” ou uma “televisão estatal”.

Já os jornalistas da CNN compararam o boletim informativo com os programas transmitidos pelos governos da Coreia do Norte, da Rússia e da Síria.

Muitas críticas tem surgido em relação à seleção das notícias, que apenas destacam o trabalho de Donald Trump e que são baseadas em dados descontextualizados ou não verificados.

Além disso, o cenário onde é realizada a transmissão também tem sido criticado. Nos vídeos, aparece como pano de fundo uma tela com o logótipo da campanha de Trump e o nome do seu site oficial.

Por outro lado, centenas de seguidores da página de Facebook de Donald Trump elogiaram o novo projeto por representar uma suposta "alternativa" aos meios de comunicação social que criticam o presidente dos Estados Unidos.

Recorde-se que, desde que Donald Trump chegou ao poder, tem criticado a maior parte dos meios de comunicação americanos, acusando-os de “caça às bruxas” e de darem “notícias falsas” sobre o seu governo.